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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Nem a atendente da SKY resistiu

Esse diálogo foi tirado de um post na Comunidade Vasco da Gama, no Orkut, postado pela própria vítima.

"Eu: quero trocar meu pacote série A + Carioca para Série B + Carioca
Telefonista: um momento, senhor… pronto, a mudança de pacote foi efetuada. Mais alguma coisa?
Eu: não, só isso.
Telefonista: o senhor é vascaíno?
Eu: sou
Telefonista: em 2010 provavelmente iremos ter o pacote série C
Telefonista: (risada) brincadeira senhor. Tenha uma boa tarde. A Sky agradece a sua ligação."

Fonte: Buzz

domingo, 7 de dezembro de 2008

Continue fora, Eurico Miranda

Dinamite em 1978. A foto não tinha cores. E ele continuou sendo o Dinamite

A queda do Vasco é uma sensacional oportunidade de sarro para qualquer um que torça para um time decente neste país. Muito bem, sarro tirado, a colina caiu e por aí vai. Ver o Renato Gaúcho rebaixado é legal, também. Falastrão, babaca e narigudo, o figura merecia uma vaga na série B.

Agora, se você é torcedor do Vasco, não se iluda. A queda não é da presidência. A queda é de um time medíocre comandado por um técnico cretino. Muita gente deve estar coçando a orelha, entornando seu suco de groselha e pensando se não seria melhor ter o Eurico Miranda na presidência.

Não, não seria. O Corinthians caiu em 2007 por culpa de uma máfia. Pergunte, ó vascaíno, se o corintiano não preferia ter caído em um período de transição. Pergunte a um torcedor da Juve, da Itália, como faz bem cair e limpar os intestinos, para depois voltar sem cagadas.

O Vasco caiu. O Eurico evitaria isso. Como? A que preço? Você sabe muito bem, vascaíno. Esqueça. Um ano na série B não quer dizer nada perto de quase uma década de Eurico Miranda.

Comentário de Abimael Forquilla: "Eu mudaria a primeira frase ('A queda do Vasco é uma sensacional oportunidade de sarro para qualquer um que torça para um time decente neste país'). Time decente está em falta. Tem, mas acabou, entende? Ficaria melhor assim: 'A queda do Vasco é uma sensacional oportunidade de sarro para qualquer um que torça para um time neste país'. Mas ainda dá para melhorar... Mesmo que o cara não torça exatamente para um time, mas sim para uma experiência de laboratório, como o Paraná, uma novela de época, como o Guarani, ou uma conexão internacional, como o Brasiliense, ele ainda pode ver graça na queda do Vasco. A frase mais justa, portanto, seria: 'A queda do Vasco é uma sensacional oportunidade de sarro para qualquer um que torça neste país'. Contudo, a bem da verdade, ainda que o cara não torça para ninguém, ainda que seja apenas um daqueles simpatizantes, que vêem futebol só quando tem Seleção no meio ou quando é final, não se deve subestimar a capacidade do Vasco de irritar um ser humano e despertar nele o irresistível desejo de vingança. Por isso, sugiro um novo corte no texto: 'A queda do Vasco é uma sensacional oportunidade de sarro para qualquer um neste país'. Mas o Vasco é internacional! O Vasco é globalizado. O Vasco foi vice-campeão mundial e de vários outros torneios por aí! É possível que, neste momento, tribos nômades subsaarianas, artistas de circo mexicano e muitas outras pessoas puras de coração estejam celebrando a desgraça vascaína por esse mundão de Deus onde o Vascão andou. Convém dar mais uma mexidinha na frase, deixando-a assim: 'A queda do Vasco é uma sensacional oportunidade de sarro para qualquer um'. Ocorre-me, porém, que sarro nunca encheu barriga de ninguém. Sei de gente que casou aposta com padeiro português semanas atrás. Sei de gente que pretende casar, acreditando que o Vasco não volta tão cedo. O Natal de muitas famílias poderá ser mais abastado, mais feliz, mais - como direi? - humano, por causa do Vasco. Mudemos, então, de novo: 'A queda do Vasco é uma sensacional oportunidade para qualquer um'. Contudo, ainda que não servisse para nada, ainda que fosse mais inútil do que as subidas de Johnny ao ataque, ainda que não existissem vascaínos no mundo para se zoar, a queda do Vasco, por si só, teria o seu valor. O Vasco na segunda divisão é que nem dinheiro na conta: mesmo que você não vá usar para nada, fica feliz só de saber que ele está lá. Um novo e decisivo ajuste na frase é preciso, em benefício da precisão e da concisão: 'A queda do Vasco é sensacional'. Pronto! Ficou mais bonito assim. Se algum torcedor da Portuguesa reclamar que se está dando muita atenção ao Vasco, que a volta da Lusa à segundona também merece ser celebrada, que conste nos autos esta derradeira simplificação: 'A queda é sensacional'. A queda é tudo e nada mais! O rebaixamento é o sentido da vida. O Vasco nos faz enxergar coisas que jamais veríamos só com a força do raciocínio. Viva o Vasco! Viva Odvan! Viva Odvasco! Volta, Vivinho! Vovó viu a uva!

PS. A frase também pode ser alterada de modo a deixar uma mensagem de esperança para o torcedor vascaíno: 'A queda é uma oportunidade'. É meio Lair Ribeiro, eu sei, mas, pra quem já aturou as palestras motivacionais do Sebastião Lazaroni, a prancheta mágica do Joel Santana e a regressão a vidas passadas do Oswaldo de Oliveira, um pouco de Lair Ribeiro pode até fazer bem."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Repórter é torcedor

Eu não sei se isso fica claro pra todo mundo. Mas se o cara decide ser repórter e trabalhar com o futebol, é porque ele gosta muito do esporte. E o que fez ele amar tanto assim o futebol a ponto de escolher uma profissão que o deixasse mais próximo desse mundo? A paixão por algum clube! Você realmente acha que depois de se tornar profissional o jornalista esportivo, principalmente os que falam de futebol, esquecem essa paixão?

Então assista o vídeo abaixo. Pra quem não sabe, o rapaz é o reporter Sandro Gama da Band.

sábado, 22 de novembro de 2008

Se o Eurico arrumar, o São Paulo leva


Durante toda a semana, São Januário virou uma espécie de Carandiru futebolístico, segundo boa parte da imprensa. Entrou ali, dançou. A CBF também não ajuda muito, escalando Leonardo Gaciba para apitar o jogo do Gigante da Colina contra o São Paulo. Gaciba já arrancou urros de Irineu Perpétuo em 2007, durante a festa de premiação da CBF, quando foi eleito melhor árbitro do Brasileirão. A mesa do boteco resistiu por pouco às pancadas e Ailton precisou intervir com uma caipirinha de kiwi para acalmar nosso bravo colega.

Mas o juiz, como diria o Parreira, é só um detalhe. Pelo que andam dizendo na imprensa, alguma força maligna paira sobre São Januário. O Borges vai quebrar a perna, o Muricy vai ser atacado pela Independente e luxar o braço, o Rogério vai ter que subir pro ataque aos 30 do segundo tempo pra reverter o resultado, coisas das trevas. A questão é saber se a macumba será armada pelo Exu Dinamite ou pela Pomba Eurico. Se for o segundo, o são-paulino pode respirar tranqüilo.

Uma derrota do Vasco a essa altura do campeonato, dependendo da combinação de resultados, larga o time na penúltima posição do Brasileiro e deixa a situação bem difícil para escapar do rebaixamento. De quebra, o Renato Gaúcho cairia com o time ocupando a vice-lanterna, o que é a cara do Vascão.

Aí entra o efeito-Miranda - ex-dirigente, não zagueiro. Eurico Miranda já disse que, se o Vasco cair, vai acabar com a vida do Dinamite. Eu acho que ele pretende acabar com a vida do Dinamite mesmo que o time não caia, mas isso é outra história. Assim, seria muito confortável para o Eurico uma queda vergonhosa neste ano. Ele poderá olhar nos olhos de cada vascaíno, dar uma baforada naquele charuto de preto velho e sentenciar: "Ou eu ou o caos!"

Dinamite vai pro vinagre, Eurico volta, o Vasco ganha a segunda divisão sem perder nenhuma partida e levando só um gol, contra, do Odvan. E tudo retorna ao normal no "caldeirão da colina".

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pequenas notas

Como certa vez disse Saulo Milleri Biral, um de nossos leitores, o problema do Flamengo é a soberba. Márcio Braga discorda. O dirigente diz que falta "arrogância" ao time rubro-negro e que, numa reminiscência proustiana, sentiu-se tão abalado após o empate contra a Luza como quando criança. Eis alguém que conhece de "crisis management".

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O Globoesporte.com lancou esta semana o Futpédia: uma base de dados sobre o futebol brasileiro. A princípio, somente há dados sobre o campeonato brasileiro, de 1971 até 2007, porém, ano que vém, a ferramenta contará com informações sobre os campeonatos carioca e paulista, desde a fase amadora até hoje. Uma boa iniciativa. Muito bacana.

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Está enchendo o saco esta historinha entre Luxemburgo e Muricy Ramalho. Alfinetada de cá e de lá. O que que é isso? São adultos. Parece picuinha de pátio de escola. Quer brigar? Ok, mas faça como homem, ou melhor, como Schopenhauer: ofensa verbal, agressão, cuspe, arma branca e arma de fogo - nesta ordem. Em entrevista recente, Muricy criticou as capacidades de Luxemburgo como comentarista e o fato dele não ter acompanhado o time na viagem para Argentina; algo irritante: sempre depois de uma crítica, o são-paulino emendava: "mas a gente tem que respeitar". Pô! diz que o cara está fazendo besteira e depois passa o pano? Pare com isso, tome vergonha na cara e vire homem: ofenda, critique e mande aquele abraço!

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Como prometido no podcast, segue o link para a divisão das torcidas em clássicos no Maracanã. Notem que Flamengo e Vasco não flutuam, têm lugar "cativo", e que o acordo data de 1950: algo impressionante para este país e aquela cidade.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Em semana de clássicos

É sempre lindo ouvir aquilo que se ouve antes dos clássicos: discursos cordiais, gentilezas e muito raciocínio analítico. No fim de semana teremos três clássicos: Vasco x Flamengo, Palmeiras x São Paulo e Atlético Mineiro x Cruzeiro. Este último, creio que não vale a pena descutirmos aqui, por duas razões: o resultado é mais ou menos previsível (já que não involve o Flamengo) e pouco está sendo dito sobre ele. 

Vasco e Flamengo:
Duelo de falastrões: Renato Gaúcho, Roberto Dinamite e Marcio Braga. Ui! Poucos sobreviverão. Marcinho do amendoim disse: "Só vejo que o Vasco está mal no campeonato, que o time é fraco e está passando por dificuldades (um possível rebaixamento)". Numa súbita crise de consciência, o dirigente rubro-negro tentou desmentir ou, pelo menos, amenizar as declarações (o rapaz tem um bom coração), mas não fez aquela cortez ligação para São Januário.
Dinamite rebate: "O dirigente tem que falar pouco e trabalhar muito para dar condições aos jogadores. Nós, presidente, diretores, ttemos que dar condição para o grande espetáculo". Ufa! Ainda bem alguém sereno no mundo do futebol. Veja e aprenda, Marcio, como se deve tocar um clube; veja o clima de harmonia do Vasco. Bravo, Dinamite!
Na mesma ocasião, Dinamite disse que no tempo dele não era necessário que rolasse uma briga de comadre para encher o estádio, bastava o futebol. Os tempos são outros...
Renato Gaúcho me preocupa. O menino tão falante, garboso anda meio cabisbaixo e introspectivo. Nem quis armar uma briga como o Marcio Braga. Levem para o médico! O rapaz deve estar doente...
Um último episódio vascaino: Odvan dá uma entrada violenta em Leandro Amaral e, segundo tudo indica, tira o atacante do clássico. Odvan é um dos maiores fanfarões que o mundo já viu; o cara é bom! Ou seria isso uma falsa notícia, um mis en scène da Inteligência Portuguesa?

Palmeiras e São Paulo:
Um bate-boca de lavadeira, mas sem aquele tempeiro carioca. Leandro e Diego Souza disseram que o Palmeiras tinha 70% de chance de ganhar o clássico por jogar em casa, partindo, supostamente, do retrospecto do time como mandante no campeonato. Muricy se ressentiu e rebateu, valendo-se de ironia: 30% de chance era bom demais e que o São Paulo é favorito. Para emendar, usou a cornetagem de Marcinho contra os rivais e, finalmente, evocou a antiga máxima que o futebol se ganha no campo. Luxemburgo seguiu com a rusga e defendeu seus homens dizendo que eles não disseram nenhum absurdo e que tudo aquilo não passava de tempestade em copo d'água. Diego Souza chegou com a faca nos dente e um discurso a la "Churchill": "Se for preciso, vou suar sangue em campo para sair vitorioso". 
E assim seguiremos até a gozação de segunda-feira.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O cartola bi-polar

O Flamengo tem aquilo que todo time precisa: um cartola corneteiro. Meu deus! O cara é pior que a turma do amendoim lá do Palestra Itália. 1º ato: Flamengo ganha do Náutico, dois a zero, Marcio Braga alucina: já encomendei o chopp, já pedi para a tia fazer a fejuca e é só esperar, pois em dezembro fai rolar a balada do hexa. Ótimo. O time todo ficou bem paquito, com a bola cheia, afinal quem tem medo do Atlético Mineiro? Medo, não sei, mas cautela é bom. 2º ato: Atlético três a zero; Maracanã bombando. (recomendação de um palmeirense: é assim que o Caio Jr. funciona: ele abre o bico, no vamos ver, pipoca... faz tempo que digo isso) 3º ato: como reage Marcinho, the party animal? Tudo acabou! Brasileiro? Só em 2009. Que lixo de time.. etc. 

Reflitamos da maneira mais racional que o futebol possa nos permitir. Cenário: você um jogador do Flamengo; seu time teve uma campanha de altos e baixos, incrementada com uma seqüência assustadora de derrotas e empates no meio do ano; seu time vence um outro que briga para não cair num jogo morno; o cartola começa a falar, ninguém sabe a razão, de festa do hexa; sabadão, Maracanã cheio e chocolate; aquilo que era euforia vira pessimismo schopenhauriano. E o jogador? Enlouquesse, provavelmente. Marcio Braga é um terrorista. Caro leitor, a moral da fábula flamenguista é similar a da fluminense: falar muito não dá bom resultado.

Veja uma pequenina matéria feita pelo pessoal do globoesporte.com sobre uma maldição do Maracanã cheio e constate a genialidade de Eurico Miranda no episódio de 30 de dezembro de 2000 no estádio de São Januário.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Alcatraz (ou Passaporte para a Confusão)

Feliz da vida com a transferência para o Manchester City e empolgado por enfrentar uma defesa tão bem postada como a chilena, Robinho aproveitou o final de semana nos Andes para fazer o que realmente gosta: falar mal do Real Madrid. Entre outras coisas, disse que preferia “vender pastéis no mercado” a continuar jogando pelo clube espanhol. Se Robinho tiver para pasteleiro o mesmo talento que tem para pipoqueiro, já tem uma nova carreira para começar, quando decidir fazer o que Ronaldinho Gaúcho decidiu há muito tempo – parar de jogar.

O Robinho só não pipoca contra o Chile porque ali pipoca estrangeira não tem vez. O Chile não precisa que venha um especialista de fora ensinar como é que se dá aquela pipocada gostosa! Apesar de que o maior pipoqueiro do time, El Mago Valdívia, nasceu na Venezuela... E a equipe é dirigida pelo argentino Marcelo Bielsa, grão-mestre pipoqueiro consagrado internacionalmente com comendas e distinções. Principalmente na Suécia e na Inglaterra, onde é cultuado desde a Copa de 2002 e ainda há de dar nome a bucólicas pracinhas. O Bielsa é, enfim, praticamente o Pelé da pipoca! É... Está certo... Craque venezuelano, técnico argentino... Essa pipoca chilena é meio paraguaia!

O fato é que, de vida nova, Robinho voltou a ser referência e a influenciar o futebol brasileiro. O desfecho surpreendente de sua novelinha, em que traiu o Real Madrid namorando o Chelsea e, depois, entregou-se facinho ao Manchester City, tem inspirado muita gente no Brasil. O Vasco (sempre o Vasco; é impressionante!), não satisfeito com o que já fez de bagunça este ano, surpreendeu o mundo, provou que pode ainda mais do que se imaginava e, sim, aprontou mais uma. O Vasco acertou com o Sharjah, dos – adivinhe – Emirados Árabes, a venda do atacante Jean. Até aí, tudo bem. Jean era reserva, quase não vinha sendo aproveitado, criou tumulto há pouco tempo ao tretar com o Edmundo, vivia resmungando, reclamando de tudo, com cara de coitado, e treinava com aquele entusiasmo de paciente desenganado pelos médicos. Mas, se os árabes acham que o clima ameno do deserto pode deixá-lo mais alegrinho que o Vampeta, tudo bem: querem que embrulhe ou vão levar assim mesmo? Manoel Fontes, o vice de futebol do clube, tratou logo de fechar negócio. Jean, aliviado, fez questão de zerar a conta, pra não levar mágoa na bagagem: despediu-se de todos os colegas, um por um. Fez as pazes com Edmundo, desejou boa sorte aos que ficam, deu bons conselhos aos mais jovens e até quis abraçar o técnico Tita. Pois não é que o treinador vascaíno, que nunca reparou muito em Jean quando ele estava lá esperando uma chancezinha de jogar, resolveu dar uma de marido traído na hora da despedida! Passou um sabão no jogador e exigiu sua permanência em São Januário. Com vôo marcado às pressas para domingo, Jean deixou Tita falando sozinho e foi cuidar da vida. Fez as malas e foi para o aeroporto. Quando estava na fila do check-in, notou que seu celular tocava e, ingênuo, tolinho, atendeu. Era Roberto Dinamite. Depois de dias procurando em meio a uma papelada embolorada dos diabos, o presidente do Vasco finalmente encontrou uma cópia do contrato do clube com Jean. Com multa rescisória estipulada em R$ 18 milhões, o que, evidentemente, nem Jean, nem os árabes, nem o próprio Dinamite, ninguém sabia até então. Dinamite bateu o pezinho e, tipo assim, ignorando completamente o acordo firmado pelo vice Manoel Fontes, cobrou dos árabes o dinheiro. Os árabes, levemente desconfiados de que o Brimo Dinamite tentava passá-los para trás, não aceitaram pagar mais nada. E Jean, bem orientado, bem assessorado, como sempre são os atletas brasileiros, ficou tão apatetado com a notícia, que perdeu o vôo e não saiu do Rio. Tita, vingado em sua honra de macho ferido, quer que o atacante se apresente imediatamente no clube e está ansioso para poder voltar a não o utilizar para nada. Jean, mais envergonhado do que torcedor da Portuguesa quando chega à puberdade, diz que não tem “nem cara para voltar”.

Quer saber o que é realmente o Vasco da Gama? Esqueça os jogos do time! Vá à locadora mais perto e leva pra casa Alcatraz – Fuga Impossível! Se não tiver, pegue Passaporte para a Confusão, que, ao contrário do que o nome sugere, não é sobre a emocionante história da transferência de Jean para o futebol árabe: é só mais uma daquelas comédias americanas que, normalmente, a gente vê sem saber por que, mas que, para um coração sensível e machucado como o do torcedor vascaíno, pode ser uma verdadeira lição de vida.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Deus me livre!

A imprensa carioca bem que tentou, mas não conseguiu arrumar assunto para mais um capítulo na novela que se tornou a contratação de Márcio Careca pelo Vasco. Perguntaram ao vice-presidente de futebol do clube, Manoel Fontes, se é verdade que o Vasco, pra ter o jogador, vai mesmo brigar com o Barueri, time de Careca, na Justiça. O dirigente disse, em resposta, a única coisa que pode sair da boca de um homem de bem numa hora dessas: “Deus me livre”!

Enquanto o Vasco luta bravamente para convencer os repórteres do Rio a parar de perguntar por Márcio Careca, um de seus atletas, Madson, acha que o momento é oportuno para pedir aumento. Prometeram para o moleque, no começo do campeonato, que, se ele jogasse dez partidas como titular, receberia um adicional bacana, pra poder comprar um carro da hora e levar umas minas de Del Castilho pra dar rolê na Lagoa. Madson era reserva e não entrava nunca. Pois virou o “homem de confiança” (outra expressão bonita da crônica esportiva brasileira) de Tita, completou os dez jogos e, louquinho pra se jogar na night, foi cobrar o dinheiro. A diretoria do Vasco não disse nem que sim nem que não, e isso, vindo do Vasco, a gente já sabe o que significa... Significa que “Deus me livre”!

Já passou da hora de o Vasco copiar a organização do Flamengo. O Mengo, sim, sabe administrar orçamento, montar elenco, planejar temporada. Esta semana a diretoria apresentou, toda contentinha, o saldo desse período de negociações. A ida de Marcinho para algum lugar deserto no Oriente Médio não rendeu muito: R$ 750 mil. Já a venda de Souza ao Panathinaikos valeu R$ 4,75 milhões. Negocião. Em condições normais, a Justiça exigiria que o Flamengo pagasse para alguém levar o Souza, mas a diretoria rubro-negra encheu os gregos de caipirinha e, depois de algumas doses, os fanfarrões não só pagaram caro pelo Souza, como já estavam quase querendo também o Toró. Nada que se compare, contudo, aos R$ 13 milhões que o clube embolsou com a ida de Renato Augusto para o Bayer Leverkusen.

Sim: dezoito milhões e meio, somando tudo. Aí, o Flamengo, montado na grana, mostrou como é que se faz. Saiu às compras. Mas com cautela. O bom e barato, afinal, é uma receita que já rendeu frutos a muitos clubes. O Botafogo, por exemplo, foi até vice-campeão da Série B, usando essa estratégia.

Primeiro veio Eltinho, que estava no Cruzeiro, embora em toda a Grande BH ninguém soubesse disso. Baratinho. Duzentas merrecas. Fernando, do Mixto, mais desconhecido do que o clube em que estava, não veio assim tão fácil. Duzentas mil e quinhentas merrecas. Sambueza é argentino, estava no River, sabe das coisas. Não ia vir levar bomba de graça no Rio. Custou R$ 750 mil. Vandinho, do Avaí, parecia que ia dificultar. Afinal, é rodado, seus olhinhos sofridos já viram de um tudo nessa vida, sabe o que acontece quando a torcida pula o alambrado. Mas saiu por R$ 400 mil. Fernandão, quem quer que seja, para escapar de uns judeus que lhe cobravam juros em Israel, onde jogava, quase pagou para vir. Custou ao Flamengo R$ 50 mil. Como quem poupa tem, sobrou grana para o Flamengo fazer uma presença com a torcida e trazer um nome de peso, de arrebentar, de calar a boca do Eurico Miranda. Assim se chegou a Marcelinho Paraíba, ao preço de quase R$ 1,8 milhão. Finalmente, mostrando que não ligam pra dinheiro, os dirigentes flamenguistas esbanjaram R$ 1,2 milhão com Josiel, que era do Paraná e estava curtindo um calor nos Emirados Árabes, e R$ 240 mil com o chileno Gonzalo Fierro.

Valeu a pena garimpar esses talentos. O Flamengo fez uma baita economia e conseguiu formar o maior elenco do futebol brasileiro: entre latino-americanos milongueiros, cariocas legítimos e refugiados de Israel, 38 sujeitos na Gávea estragando roupa, deixando torneira pingando e combinando balada. Depois, lembrando que o Caio Júnior é do tipo que valoriza até o terceiro reserva e gosta de saber de um por um, antes do treino, como é que vai a família, a diretoria do Flamengo, pra poupar trabalho, dispensou quatro e, malandra que só, convenceu o Paraná Clube a ficar com eles. Sem pagar nada. Só na amizade mesmo.

Vandinho é seguramente o símbolo dessa leva de reforços flamenguistas. Sua contratação mostra como a diretoria rubro-negra estudou cada contratação e fez os negócios com cuidado, buscando sempre o melhor para o clube. Tudo começou com um contato entre o Flamengo e o Avaí (o Flamengo, claro, prima pela ética, e não é do tipo que já vai pondo minhoca na cabeça do jogador, sem nem falar com o clube em que o sujeito joga). O Avaí, ao saber do interesse do clube carioca por Vandinho, generosamente, compreendendo o momento difícil, a necessidade da equipe da Gávea, não ofereceu obstáculo: permitiu que os flamenguistas se entendessem logo com o atleta. Vandinho também não precisou de mais que alguns segundos para fechar. Já estava com a caneta na mão, pra assinar contrato, antes mesmo de o contrato ser redigido. Saiu de Santa Catarina direto para o Rio. Não inventou que tinha de resolver “problemas particulares”, visitar a mãe não sei onde nem nada. Chegou, apresentou-se e foi treinar. Como a torcida gosta. Como tem de ser. O preparador físico do Flamengo, Ronaldo Torres, contudo, estranhou, já no primeiro treino, que o jogador praticamente não saía do lugar. Não se apresentava. Não pedia a bola. Só sorria e batia palma pra passe errado. Mas eram os primeiros momentos. Clube novo. Clube grande. Podia ser só timidez, nervosismo, saudade do baião de dois da avó. Mas no segundo treino foi a mesma coisa. Ronaldo ficou de olho e, como o desempenho do atacante não melhorava, depois do jogo contra o Goiás, em que Vandinho foi substituído e saiu manquitolando, encostou o cara na parede. E a verdade, sempre tão bela, apareceu: “Ele já tinha um problema na coxa quando ainda estava no Avaí. Escondeu a contusão com medo de que a negociação pudesse ser cancelada”, revelou Torres. Vandinho, o sincero, explicou à imprensa que fez isso por amor, para realizar seu sonho de jogar no Flamengo.

O Flamengo é mesmo um sonho! É um dos raros clubes que tem a coragem de dispensar o exame médico pré-contratação, essa burocracia dos diabos, que só serve pra atrasar o registro do jogador na CBF. O Palmeiras também já fez muito isso, com sucesso, quando contratava Pedrinho e Jardel de olhos fechados, sem checar referências e confiando na palavra do atleta.

Vandinho, de qualquer modo, logo deve voltar, novinho em folha. E é importante que, nessa hora, o torcedor saiba perdoar o atleta. É importante apoiar o jogador e esse maravilhoso grupo de trinta e quatro guerreiros. A palavra de ordem tem de ser uma só. Um só discurso, um só coração. E a frase certa para unir Caio Júnior, elenco e torcedores nesse momento é aquela que os vascaínos conhecem melhor do que ninguém: “Deus me livre”!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Saudade de quem não veio

O torcedor vascaíno não esquecerá tão cedo a última terça-feira, 26 de agosto. No dia, completaram-se dez anos da histórica conquista da Libertadores por aquele time de Carlos Germano, Mauro Galvão e Juninho Pernambucano.

Sem dinheiro nem pra encomendar um cento de coxinha frita e umas garrafas de guaraná Dolly, o Vasco não programou para a data nenhuma festinha ou homenagem. Mas, para o dia não passar em branco, decidiu fazer nele a apresentação oficial de seu novo reforço, o homem escolhido a dedo por Roberto Dinamite para tirar o time das últimas posições no Brasileiro: o lateral esquerdo Márcio Careca.

A imprensa carioca, acostumada a cobrir tiroteio em baile funk, encalhe de baleia em Copacabana, revolta em trem suburbano e coisa muito pior, não decepcionou: compareceu em peso para ouvir as primeiras palavras do – aonde é que o mundo vai parar!? – novo ídolo vascaíno. Tita, mostrando toda a confiança que tem no seu elenco, repetia, desesperado, que precisava demais desse reforço. No calor da emoção, até anunciou a estréia de Careca já para o próximo jogo do Brasileirão, contra o Grêmio.

Tudo em vão. Márcio Careca não apareceu em São Januário. Os diretores vascaínos corriam de um lado para o outro, falavam ao celular, davam palpites para o Jogo do Bicho, mas não conseguiam oferecer nenhuma explicação satisfatória para a ausência do novo reforço. No fim, pressionados, admitiram que, na verdade, Márcio Careca nunca assinou com o Vasco, que o Barueri, clube do jogador, dificultou a negociação, que vai ficar tudo por isso mesmo, que o importante é ter saúde, que a vida continua e que eu nunca vou te abandonar porque eu te amo.

Bom para todo mundo. Careca, que várias vezes escapou de apanhar – não diria merecidamente, mas, digamos assim, com motivo – da torcida do Palmeiras, pode continuar tranqüilo no Barueri, onde ninguém vai se preocupar em saber qual o destino das bolas que ele, nas raras vezes em que chega à linha de fundo e arrisca um cruzamento, joga, todo desengonçado, todo sofrido, quase fora do estádio. O torcedor do Vasco, que só não bateu ainda em ninguém porque não sabe por quem começar, também não precisa se preocupar em ter de colocar mais um na lista do acerto de contas.

A imprensa carioca, contudo, não gostou. Ela foi ali para ver um show, para fazer mais estardalhaço com a chegada de Careca do que a imprensa paulistana fez na volta de Maurren Maggi ao Brasil. Indignada com as desculpinhas dos dirigentes, exigiu explicações do técnico Tita. Afinal, como é que Tita anuncia que vai escalar na próxima partida um jogador que nem é do clube? A diretoria não havia lhe dado garantias? Tita, louquinho pra tirar o seu da reta, tratou logo de explicar que nenhum dirigente conversou com ele sobre a contratação de Márcio Careca. O técnico, na verdade, vinha acompanhando o caso pela imprensa...

Organização, divisão de responsabilidades, modernos mecanismos de comunicação, entendimento. O Vasco de Dinamite mostrou, num único dia, que é isso e muito mais. Muito mais, sim, pois não acabou aí. Quando os repórteres já se preparavam para voltar desanimados às redações, eis que surge em São Januário a lendária, carrancuda e consideravelmente obesa figura de Odvan.

Foi um rebuliço! Torcedores chorando, se abraçando! Repórteres sorrindo novamente! O Vasco, afinal, havia preparado uma surpresa. Aquela história de apresentar Márcio Careca era só pra despistar! Que Márcio Careca, que nada! Ele que vá jogar bola pela linha de fundo no interior de São Paulo! O Vasco decidira, então, homenagear todos os heróis da conquista de 98 na pessoa do humilde zagueiro Odvan, “símbolo da raça” (sempre dizem isso, né?) daquele time vencedor. Um gesto singelo, delicado, nobre. O Vasco pode não ter dinheiro, mas tem história, tem respeito pelos seus ex-jogadores e por sua torcida! Que terça-feira espetacular!

Bem, mas bastou os microfones serem apontados para Odvan, para todos descobrirem que não era nada disso. Odvan não havia ido a São Januário para inaugurar placa comemorativa, vestir faixa e recordar detalhes da campanha na Libertadores de dez anos atrás. Odvan não estava ali a passeio. Odvan pegou a camisa, vestiu, beijou e anunciou, para uma imprensa carioca que não ficava tão perplexa desde o dia em que descobriu que o Engenhão existia e não era só um projeto engana-mané, tipo estádio do Corinthians, anunciou, repito, que é o mais novo reforço do Vasco para o segundo turno do Brasileirão.

Um instante de silêncio. Passarinhos cantam ao longe. E de repente bate no torcedor vascaíno uma inexplicável saudade do Márcio Careca!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fanfarra

Assim como o espírito Xeneize, a fanfarrice tem origens nos primórdios. Ao ler as notícias diárias percebemos que o império dos fanfarrões comanda o show. Como aqui neste blog se faz jornalismo, vamos aos fatos:

Vasco: em fase excelente, sobrando no campeonato e com chances de ir disputar a Libertadores do próximo ano, pois faz grande campanha no returno (7 pontos em 3 jogos - uau!), o time de São Januário deu folga para seus jogadores, ontem, segunda-feira. Dinamite fazendo choque de gestão. Muito prudente.

Atlético Paranaense: o time continua com aquele papinho "ai, não dá tempo de treinar! Não temos elenco; não temos banco! Ó vida!". Diagnóstico: pede pra sair. Está muito duro? Vá jogar a Copa Kaiser. Pô, joga dois jogos por semana e não dá tempo para treinar? Os jogadores têm dois empregos?

Dodô, o eterno fanfarrão: jogador que deixa saudade por onde passa, provavelmente será mais uma vez passado para frente. Depois da demonstração de respeito pela hierarquia e senso de conjunto, deve ir para o Corinthians. Agora vai! Em 2009, os adversários nem deveriam aparecer para jogar; o Timão vai passar por cima. Olhem bem e vejam o ataque que os caras estão montando: Dentinho, Herrera, Acosta, Careca, Bebeto, Otacílio Neto e, em breve, Dodô. O caro leitor dirá: não conheço metade destes caras. Eu digo: está vacilando. Não assiste a Série B, vai ter surpresa na hora que seu time for pegar os matadores do Parque São Jorge, grupo de extermínio. Misericórdia, meu pai!

Olimpíadas: o site globoesporte.com fez um seleção das frases mais bonitas e edificantes dos jogos. Vale a pena conferir. Destaco os ditos sapientais de Maradona, Alexandre Pato, Pedro Dias (judoca e suposto corno português) e Diego Hypólito, o chupim.

Comentário de Abimael Forquilla: "Esse negócio de 'Dodô será mais uma vez passado pra frente' é questão de ponto de vista. Pra mim, ele é que passa os outros pra trás..."

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Leva, que é teu!

Contratar jogador no meio do campeonato, quando os elencos já estão todos formados, é uma arte. Tem de ter cautela, garimpar com cuidado, pra acertar e apresentar pra galera aquele reforço que vai fazer a diferença. Sim, porque ninguém contrata jogador no meio da temporada só “pra somar”, pra “compor o elenco”. Se o cara foi chamado na 22ª rodada, não é pra ficar treinando três semanas separado do grupo, recuperando-se fisicamente, pra depois ir entrando aos poucos, no segundo tempo: é pra chegar, vestir a camisa e resolver. O Vitória, por exemplo, já achou o homem. O time começou o mês todo assanhado, todo cheio de mandinga, crente que aproveitaria os confrontos com Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras para assumir a liderança do campeonato e afundar os concorrentes. Perdeu dos três e foi parar em sexto lugar. Mas a diretoria se mexeu: mandou chamar o argentino Trípodi, que estava no Santos.

Devem ter sido os números do atleta que chamaram a atenção da diretoria do rubro-negro baiano. O atacante argentino jogou quinze partidas pelo Santos e fez história na Vila, ganhando o coração do torcedor com nada mais nada menos do que um gol marcado.

Se não foram os números, foi, com certeza, a forma física, a hiperatividade do craque. Injustiçado pelo Cuca, que jamais compreendeu o valor de seu futebol, sua entrega em campo, o argentino foi afastado do grupo. Valente, passou as últimas semanas treinando sozinho não no CT, mas na praia, onde eventualmente beliscava uma porção de lambari frito e tomava ali uns birinights, pra repor as calorias. Foi, aliás, num momento de intensa atividade num quiosque, que atendeu o celular e recebeu a proposta do Vitória.

A diretoria santista, comovida com o interesse dos baianos e ao mesmo tempo apreensiva com a saída do gênio, viu-se na obrigação de suprir a perda com uma contratação de meio de temporada. Ela sabia que o torcedor ia exigir uma resposta e, antes mesmo que começasse a tradicional chuva de chinelo (essa maneira inimitável que o torcedor santista tem de fazer protesto), tratou de anunciar o reforço: o meio-campista Bida. E Bida, vejam só como é a vida, estava onde, minha gente? Sim: Bida estava no Vitória.

Há quem garanta que não foi assim que aconteceu. Que, na verdade, o Santos é que foi atrás do Bida primeiro e, depois, em retribuição, foi obrigado a ceder Trípodi para o Vitória. Que seja! Agora que já estão os dois de olho roxo, não importa mais saber quem agrediu primeiro. Quem sai fortalecida com essas contratações é a matemática, uma vez que mais uma vez se confirma a velha máxima segundo a qual “a ordem dos fatores não altera o produto”.

Essa troca entre equipes que disputam o mesmo campeonato só não foi a mais ousada transação do mercado futebolístico nacional dos últimos tempos porque o Corinthians, modernizado, renascido, lançando tendências, acertou no final de semana a vinda do lateral esquerdo Pablo, de 22 anos. O clube trabalhou nos bastidores, na surdina, como anda fazendo ultimamente, e apresentou o garoto do nada. Tão do nada, que até agora Andrés Sanchez ainda não conseguiu explicar onde afinal o menino estava jogando, embora já se saiba que brilhou no Treze da Paraíba e em “equipes do interior de São Paulo”. Mas até aí não há nada de mais. A inovação está no fato de que Pablo, recém-contratado, já foi emprestado pelo Corinthians ao Bragantino e disputará a Série B pela equipe de Bragança Paulista.

Tá aí! Não adianta ter inveja. É por isso que o Corinthians é grande e tem torcida em tudo quanto é lugar. Que outro time, em plena segundona, teria a grandeza de ir buscar um reforço para um adversário? Que sirva de exemplo para os times da Série A! Imagine como seria mais legal o Brasileirão, se agora o Palmeiras, por exemplo, contratasse, sei lá, Edcarlos, e emprestasse para o Grêmio. Aí, o Grêmio, entrando no clima, acertasse com o Zé Elias e o cedesse por três meses ao Cruzeiro. O Cruzeiro ia lá e, pra não ficar pra trás, contratava o Perdigão e despachava para o Flamengo. Devia virar lei: cada time ficaria obrigado a contratar um jogador no meio da temporada e inscrevê-lo em outra equipe. Menos no Vasco. O Vasco vive no seu próprio mundinho, logo ali no universo paralelo. Um clube capaz de trazer Márcio Careca nessa altura do campeonato, pra acalmar a torcida e escapar do rebaixamento, definitivamente não precisa de mais nada.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar!

Quando o Vasco perdeu de cinco para o Santos, fazendo um pênalti atrás do outro, fiquei meio sem entender o que o time carioca queria dizer com aquilo. Depois, quando o Atlético Mineiro levou seis do Vasco, entendi menos ainda. Só agora, após a derrota do Santos para o Atlético, é que compreendi finalmente que diabos os três clubes estão tramando com essa brincadeira de “vamos todos cirandar”: eles têm o plano de irem juntos para a segunda divisão.

A estratégia de agir em bando, inspirada no método empregado com eficácia pelos quenianos nas corridas de São Silvestre, configura concorrência desleal. Fluminense, Náutico e Portuguesa, se não tomarem providências logo, vão acabar perdendo a vaga na Série B que tanto já fizeram por merecer. E não adianta tentar um acordo semelhante, pra fazer frente à aliança alvinegra: a Portuguesa é rebelde demais para participar disso. Ganha quando tem de perder, entrega quando é pra ganhar, enfim, a Portuguesa é o Batman – age por conta própria, aparece quando quer e some sem deixar pistas.

A ciranda-cirandinha dos alvinegros não poderia ser posta em prática, claro, sem uma providencial dança das cadeiras com os treinadores. Alexandre Gallo, não contendo o ímpeto de sua juventude, foi o primeiro a partir. Cuca, sempre perfeccionista, esperou o time atingir aquele ponto em que não há mais salvação, para – aí, sim – abandonar o barco. E Antônio Lopes, experiente, maduro, vivido, esperneou até o fim e teve de ser expulso à tapa de São Januário, para não melar o esquema.

Concluída essa parte, teve início, ontem mesmo, nos vestiários, a fase 2 do projeto. Adivinhe quem o Vasco quer contratar para o lugar do Lopes? Sim, exatamente: Cuca! O Santos, mais discreto, tenta disfarçar. O dirigente Luiz Antonio Ruas Capella (Marcelo Teixeira, num momento bem Kia Joorabchian, falou que ia só ali ver não sei o que e ainda não voltou) disse que o time “não tem um nome em mente”. E o Atlético, mineiro que só, finge estar satisfeito com o trabalho do interino. Sei... Me engana, que eu gosto! Não dou dois dias para o Gallo aparecer na Vila Belmiro e o Antônio Lopes na Cidade do Galo.

Se a CBF não fizer nada, se ninguém impedir, até o fim do campeonato muita coisa ainda é capaz de acontecer. Morais, que acaba de sair do Vasco, pode, por exemplo – ó, coincidência! – aparecer sem mais nem menos no time do Atlético. Marques, então, alegando o não cumprimento de misteriosas cláusulas contratuais, rescinde com o Galo e – ah, vá! – assina com o Peixe. Aí Fábio Costa tem um daqueles seus dias de fúria, esbofeteia colegas durante o treino, faz as malas e – quem diria, hein!? – vai para o Vasco.

A torcida vascaína, que continua segurando na garganta bravamente o grito de “Eurico, ladrão, volta pro Vascão!”, já percebeu que Roberto Dinamite está de braços dados com santistas e atleticanos. Ontem, não se contendo, xingou o antigo ídolo pela primeira vez na história. Chamou-o delicadamente de “banana”. Dinamite não reagiu. Com aquele sorriso travado de quem saiu de mau jeito de uma consulta ao dentista, andou de um lado para o outro, cheio de otimismo e energias positivas. Mas é ou não é um banana? É o Banana de Dinamite!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A China e o Barão

Começaram as Olimpíadas. Para mim, época de muita diversão e sono. De sentir-se testemunha da história. De registrar na memória mais algumas imagens que nunca se apagarão. Como aquela de Joaquim Cruz carregando a bandeira brasileira após ganhar o ouro olímpico nos 800 m em Los Angeles, 1984. Ou a famosa chegada da suíça Gabrielle Andersen-Scheiss, exausta, na maratona da mesma Olimpíada. Sou daqueles ingênuos que acreditam que através do esporte as pessoas esquecem suas diferenças. Daqueles que se emocionam ao ver os atletas das duas Coréias (Sul e Norte) participando de um desfile de abertura como uma única nação. Como queria o Barão Pierre de Coubertin, sempre tive a imagem de que a Olimpíada é uma forma de celebrar a paz entre as nações. Vejo então o COI permitir que a China, com seu regime opressor e anti-democrático, seja a atual sede. Não pense que por isso eu vou promover um boicote particular aos Jogos. O erro já foi feito. Só precisamos ter claro o quanto é antagônico a China sediar uma Olimpíada. O Barão deve estar triste.
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Futebol e Olimpíada não combinam muito. Pelo menos o masculino. Vide as confusões entre FIFA, clubes, seleções e a Corte Arbitral do Esporte (CAS). Mas não posso negar que, lá no fundo, acabo torcendo pelo ouro inédito. Particularmente, não acredito que ele venha. Só se Ronaldinho resolver jogar assim novamente:


No feminino, mais uma vez chegamos como um dos favoritos. As meninas são as atuais vice-campeãs olímpicas e mundiais. Assim como o Mozart Maragno, do Futebol das Mulheres, creio que temos boas chances. Estreamos hoje com um empate contra a Alemanha, atual campeã mundial.

O bom dos Jogos é que existe muita coisa legal pra ser vista. Por isso, durante esse período, pedimos licença para falar não somente de futebol aqui no blog.

Comentário de Abimael Forquilla: "As Olimpíadas também marcaram minha vida de uma maneira muito especial. Foi durante uma, a de Sidney, que fui demitido do jornal A Gazeta Esportiva. E é sempre uma ótima oportunidade para descobrir quantos países formam atualmente a antiga Iugoslávia, mais dividida do que a diretoria do Corinthians e só um pouco menos que o elenco do Vasco."

sábado, 2 de agosto de 2008

Eurico se foi, mas o show não pode parar

O Vasco é o único time do mundo que entra em crise depois de ganhar de 6 a 1. Quando Leandro Bonfim, Morais, Jean, Antônio Lopes, Roberto Dinamite e Edmundo trabalham juntos, esse negócio de vitória ou derrota é detalhe. O pau pode quebrar a qualquer momento, principalmente se não houver motivo. E esta semana quebrou gostoso, com direito a uma deliciosa seqüência de acusações, uma patifaria como não se via desde os tempos de Romário, Müller e Zagallo na Seleção.

Morais deu início aos trabalhos, ao desaparecer dos treinos e avisar que estava com medo de apanhar da torcida. Roberto Dinamite, que como cartola faz muito mais jus ao nome do que como jogador, mostrou profundo conhecimento de psicologia esportiva e de gerenciamento de crises: "Ele tem que respeitar o clube que paga o seu salário. Não adianta ter desequilíbrio e ficar desesperado". Tem que respeitar, tá certo. Não é porque o Vasco pagou no dia 31 o salário do dia 20, que o jogador vai se apavorar. Além do mais, quem é que nunca foi ameaçado de morte pela Força Jovem? Fora que o Morais já enfrentou coisa pior e agüentou. Já jogou até com o Abuda!

A conversa podia ter acabado aí. Mas o Antônio Lopes não é de deixar um assunto morrer assim tão fácil, sem participar dele. Lembrando os bons tempos de delegado, acostumado a lidar com delinqüentes, saiu em defesa de Morais com uma das mais interessantes teorias sociológicas surgidas nos últimos tempos: "Ele não vem de classe social mais baixa e, por isso, sente mais. Geralmente os garotos mais pobres conseguem passar por cima disso com mais facilidade". Ou seja, o Lopes vai defender o Morais diante da torcida e chama o cara de playboy chorão. E diz que é amigo, hein!

Com as coisas nesse ponto, Jean e Leandro Bonfim começaram a sentir dores. No tornozelo, na panturrilha, no joelho, na coxa, nas costas, em vários lugares simultaneamente, que é pra dificultar o diagnóstico. E faziam umas caras que não deixavam dúvida: ou estavam pra morrer, ou aquilo era uma das maiores veadagens já encenadas nos bastidores do futebol.

Bem, o Vasco entrou em campo sem Morais, sem Jean e sem Leandro Bonfim, o que sempre ajuda. Contra o Atlético Mineiro, que é o sonho de todo torcedor carente. Edmundo acabou com o jogo e o time deu de seis. E Edmundo, que não é de perder uma oportunidade, resolveu, após a partida, revelar que Leandro Bonfim e Jean simularam contusão para não jogar.

Leandro fingiu bem e respondeu com ironia: "Edmundo, além de jogar, é médico agora". Já Jean falou que jogador brasileiro não faz essas coisas, que é homem e tem vergonha na cara, que tem o laudo médico comprovando a contusão, que o Brasil inteiro conhece o seu caráter e que para o Edmundo ele não tira o chapéu, caso Raul Gil um dia venha a perguntar. Em resumo, praticamente confessou o crime.

Dinamite, como bom chefão, deu a última palavra, que os estudiosos ainda não conseguiram estabelecer se é a favor, se é contra ou se sei lá: "Quando for falar alguma coisa, precisa falar certo. Coisa de interesse da equipe fica entre nós".

Alheio a tudo isso, um repórter carioca, ligeiramente empolgado com a vitória vascaína, perguntou a Edmundo se o time vai brigar pelo título. "Temos que aproveitar os jogos em casa para fazer uma campanha digna" foi a resposta. Tudo bem que espancar o Juninho Paulista já é um pouco demais, mas que dá saudade do tempo em que o Edmundo maltratava repórteres que faziam perguntas idiotas, isso dá!