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domingo, 7 de dezembro de 2008

Você é o cara?


Passamos boa parte do ano indicando representantes da mídia para fanfarrões da semana em nosso podcast. Bolacha, Milly Lacombe, Osmar de Oliveira e gente de quilate semelhante apareceu falando bobagens às baldas.

Neste momento de definição do campeonato, antes mesmo da rodada começar, faço deste blog uma questão de justiça.

José Silvério, narrador da Rádio Bandeirantes, é parte da mídia. Muitas vezes, Silvério é até fanfarrão. Desta vez, ele quase cria uma nova categoria na análise jornalístico-esportiva de Comancheiro FC.

Confira comigo no replay:

"Não existe ética no futebol, o que importa é vencer. O dirigente do Corinthians quer que o do São Paulo se lixe e por aí vai. Foi uma semana nojenta para o futebol. O jogo vai ser realizado em um estádio para 19 mil pessoas, com a maioria dos ingressos doada para políticos e seus convidados. O campeonato vai terminar em um estádio de Série C e de forma trágica."

Dirceu Maravilha, ex-colega de Silvério, já perguntou incontáveis vezes "Você é o cara?" para diversos pernas-de-pau do ludopédio nacional. Hoje, no entanto, eu mesmo pergunto: "José Silvério, você é o cara?". E eu mesmo respondo: "José Silvério, pelo menos neste momento, é, sim, o cara".

ATUALIZAÇÃO
O homem continua imbatível: "Eu era um freqüentador de zona, viu, Quesada? E era mais organizado do que isso aqui", sentenciando o Bezerrão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Repórter é torcedor

Eu não sei se isso fica claro pra todo mundo. Mas se o cara decide ser repórter e trabalhar com o futebol, é porque ele gosta muito do esporte. E o que fez ele amar tanto assim o futebol a ponto de escolher uma profissão que o deixasse mais próximo desse mundo? A paixão por algum clube! Você realmente acha que depois de se tornar profissional o jornalista esportivo, principalmente os que falam de futebol, esquecem essa paixão?

Então assista o vídeo abaixo. Pra quem não sabe, o rapaz é o reporter Sandro Gama da Band.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Os 10 melhores jogadores do mundo

A revista inglesa FourFourTwo traz em sua edição de novembro uma lista dos 100 melhores jogadores do mundo. Veja quem são os 10 primeiros:

1. Cristiano Ronaldo (Manchester United)
2. Lionel Messi (Barcelona)
3. Fernando Torres (Liverpool)
4. Iker Casillas (Real Madrid)
5. Kaka (AC Milan)
6. David Villa (Valencia)
7. Zlatan Ibrahimovic (Inter Milan)
8. Sergio Aguero (Atletico Madrid)
9. Rio Ferdinand (Manchester United)
10. Steven Gerrard (Liverpool)

Só achei exagerado o Casillas em quarto. O resto acho que é mais ou menos por aí, não?

Chico Lang nasceu na China

Jornalista esportivo sofre na China. Com um futebol nacional tão atraente quanto o Mao Tse-tung de biquini, as páginas do mundo desportivo nos jornais locais têm que ser preenchidas com uma enorme criatividade. Normalmente, eles abrem mão de qualquer espírito nacional e lascam fotos do Beckham em algum jogo de caridade, treinos do Milan, jantar de negócios entre dirigentes do Tottenham e do Middlesbrough, qualquer coisa tá valendo, desde que não seja o grotesco futebol local.

O tiro, no entanto, às vezes sai pela culatra. Fugindo do ludopédio nativo, a imprensa chinesa buscou um respiro no Brasileirão, dando uma notícia "quente": "Time brasileiro manda técnico embora". O time em questão: Ipatinga. A filial menos competente do Cruzeiro, se disputasse a Super Liga Chinesa, provavelmente, estaria ali pelo décimo lugar. Mas os editores do China Daily não sabem disso, então, lascam a saída de Márcio Bittencourt e a chegada de Enderson Moreira como se fossem a saída do Bielsa e a chegada do Mourinho.

Tratando a troca de técnico do Ipatinga como se fosse algo sério, o jornal mostra que 1) não tem a menor idéia de como se troca de técnico no futebol brasileiro, 2) não tem a menor idéia do que é o Ipatinga e 3) ler jornal chinês é muito mais divertido do que ir ao estádio na China.

***

Aproveitando o embalo, o China Daily também lascou uma matéria sobre Ronaldo, o glutão. O texto repercute a entrevista dada pelo roliço ex-jogador em atividade ao SporTV. Além do "circo" da preparação em Weggis para a Copa de 2006, Ronaldo confessou ter se apresentado acima do peso. Nesse caso, os editores do jornal não "ipatingaram". Meteram logo o título "Supersize me: Ronaldo back on diet" e a foto do filho de dona Sônia.

E estamos conversados.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Os 10 maiores clássicos do mundo

Você deve se lembrar que em julho deste ano a revista World Soccer publicou aquela lista com os 50 maiores clássicos do futebol mundial.

Agora foi a vez da CNN.com, que elegeu os 10 maiores clássicos. Como toda lista deste tipo, sempre tem algumas barbaridades. O curioso é que o único clássico citado que não estava na lista dos 50 maiores é o Corinthians e Palmeiras. Entre parênteses está a posição do clássico na lista da World Soccer.

1) Celtic e Rangers, Escócia (3)
2) Lazio e Roma, Itália (6)
3) Boca Juniors e River Plate, Argentina (2)
4) Al Ahly e Zamalek, Egito (8)
5) Galatasaray e Fenerbahce, Turquia (4)
6) Olympiakos x Panathinaikos, Grécia (14)
7) Red Star Belgrade x Partizan Belgrade, Sérvia (10)
8) Wydad x Raja Casablanca, Marrocos (36)
9) Corinthians x Palmeiras, Brasil (não estava na outra lista)
10) Peñarol x Nacional, Uruguai (21)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O cara por trás do "Rala que Rola"

Claro que você já viu aquela propaganda da Nike, da campanha "Rala que Rola". Aquela dirigida pelo Guy Ritchie que mostra um jogador europeu desde o seu início de carreira, passando por uma transferência para o Arsenal da Inglaterra e sua chegada na seleção holandesa. Tudo pelo ponto de vista do jogador. Não sabe ainda do que eu estou falando? Veja a versão do diretor:



Assim como eu você também tinha a curiosidade de saber quem é o cara por trás da câmera? Pois saiba que o nome dele é Gilbert Montoya (foto abaixo), um americano descendente de mexicanos, amante do futebol e com experiência em coreografar e atuar em filmes/propagandas relacionadas com o esporte. Em entrevista a um blog americano, ele conta, entre outras coisas, que as gravações foram feitas na Espanha, Inglaterra e EUA e que ele teve que usar um capacete com três câmeras instaladas que pesava cerca de 4,5 kg.


Veja o vídeo com os bastidores das gravações.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Olha aí o pagode!

Finalmente descobri alguém que encontrou motivo para se divertir em Pequim: Silvio Luiz, o interminável narrador da Bandeirantes.

É preciso admitir que Silvio, goste-se ou não dele, desenvolveu, após anos de pesquisa e treinamento, uma forma muito peculiar de narrar partidas de futebol. Ele não se enquadra em nenhum dos perfis clássicos de locutores esportivos que se encontram em atividade, pode observar.

É impossível imaginá-lo fazendo o tipo narrador torcedor, por exemplo, que é o que caracteriza as transmissões do Galvão Bueno. "Quem é que sobe?", "Sai que é tua, Júlio César", "Segura fulaninho, que eu quero ver" são frases que não soariam bem na boca de Silvio Luiz, a quem o resultado do jogo e a sorte dos atletas interessam tanto quanto o futuro de Carlos Alberto Parreira como treinador interessa ao torcedor brasileiro.

Silvio também não é da turma que descreve minuciosamente as ações em campo, estilo muito adotado no rádio, em que o narrador não pode parar de falar um segundo, e que tem talvez em José Silvério, da Rádio Bandeirantes, seu maior representante. Antes mesmo de o goleiro cobrar o tiro de meta, Silvério já está descrevendo com que expressão facial ele irá recolocar a bola em jogo, quais as principais opções de passe, quem se encontra em impedimento, quem está passando a mão em quem e com que intenção. Silvio Luiz, não. Absolutamente alheio ao que acontece no campo, prefere, em vez de dizer quem está com a bola e o que pretende fazer com ela, falar sobre qualquer outra coisa que esteja em seu campo de visão (uma coxinha com catupiri que chegou, do nada, na cabine de transmissão, por exemplo) ou simplesmente em sua sempre ativa imaginação. Só se manifesta a respeito do jogo segundos antes de a bola entrar na rede, quando profere, meio a contragosto, o lendário grito de "Olho no lance!". Eventualmente, no meio da partida, também diz um "olha aí o pagode", quando nada está acontecendo.

Ele também não tem nenhuma semelhança com o narrador mentiroso, aquele que aumenta descaradamente a importância do que está acontecendo, descrevendo qualquer cena como o maior espetáculo da terra e dando à mais sonolenta partida ares de final de Copa do Mundo. Como faz há anos, sem nenhum constrangimento, Luciano do Valle, que não passa dois minutos sem usar a palavra "espetacular" ou "extraordinário", isso quando não inventa de comparar a Gordon Banks o goleiro Magrão, do Sport, por causa de alguma bola que bateu nele acidentalmente e foi para escanteio. O prestígio desse tipo de narrador, muito popular no tempo da TV preto e branco com chuvisco e interferências no sinal, diminui na mesma proporção em que aumenta a qualidade da imagem dos televisores. Tende a desaparecer por completo na era da TV digital. Silvio Luiz nunca foi disso. Ele é do tipo que acha que a partida de futebol só tem graça para duas espécies de pessoas: as que jogam e as que vêem na arquibancada. Para quem está em casa, não resta outra coisa a fazer a não ser aproveitar os 90 minutos para pensar em alguma coisa edificante, coisa que Silvio realmente ajuda o telespectador a fazer, puxando, um atrás do outro, assuntos com os quais, sozinho, ninguém conseguiria nem sonhar.

Finalmente, Silvio Luiz não é besta para fazer o papel de narrador vexame. O vexame é aquele sujeito que, antes da partida, decora, um por um, os nomes dos jogadores da Coréia do Sul e da Ucrânia. Tudo para, durante a transmissão, trocá-los delirantemente, chamando Jesus de Genésio o tempo todo, até chegar ao ponto de, já completamente ensandecido, errar os nomes das equipes, do estádio, da cidade em que o jogo acontece, do torneio em disputa e dos repórteres da emissora. É o que acontece com Luiz Alfredo, da Rede TV!, que numa final da Copa da Uefa, certa vez, chamava o Sevilha ora de La Coruña, ora de Mallorca, ora de Valencia, mas nunca de Sevilha. Sílvio Luís jamais preocupou-se em saber o nome dos sujeitos em campo. Quando decora o nome de alguém, é porque o achou engraçadinho e para poder repeti-lo mesmo quando o sujeito não estiver com a bola, mesmo depois de ser substituído pelo técnico.

E foi exatamente isso o que aconteceu durante a partida entre Itália e Camarões, pelo torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos. Silvio Luiz encantou-se com o defensor Bochetti (todos os jogadores italianos são defensores, independentemente da posição que finjam ocupar em campo). Bochetti é um nome que Silvio nunca permitiria passar despercebido pelo telespectador. Desde a entrada das equipes, ele estava de olho no italiano. E já insinuando umas piadinhas. Com a bola rolando, até tentou lançar outros temas, variar a conversa, mas o jogo, praticamente um pacto de não-agressão, convidava Sílvio a voltar suas atenções para Bochetti. Aí, para ajudar, Bochetti derrubou um camaronês na área da Itália: pênalti. O lance não deu em nada, que o camaronês, como bom camaronês, bateu com aquela seriedade própria do jogador africano, e o goleiro italiano, como bom goleiro italiano, pegou quase sem usar as mãos. Mas foi o suficiente para que Silvio, a partir dali, não fizesse outra coisa a não ser especular sobre a importância do Bochetti, quando Bochetti é bom, se Bochetti no time dos outros é gostoso, se o Brasil, num hipotético confronto com a Itália, deveria tomar cuidado com o Bochetti, e outros trocadilhos e achados lingüísticos de indescritível beleza. Nada mais apropriado para uma manhã de quarta-feira.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Não tão sério assim

Sempre achei que grande parte da imprensa esportiva é muito mal-humorada. Entendo que faz parte do trabalho, mas as pessoas levam as coisas muito a sério. Não toleram críticas, são corporativistas ao extremo e deixam se levar facilmente pelo lugar-comum, pelas frases-feitas e pelas perguntas repetitivas.

O Benjamin Back, que tem uma coluna no Lance e participa do programa Estádio 97 na 97FM em São Paulo, sempre me pareceu um cara que tenta fugir disso. Tem seus defeitos, é claro, mas acho que esse lado menos sisudo faz a diferença. A prova está no Papo com Benja, programa semanal que ele tem na TV Lance. Ali eu vi o Muricy Ramalho dar a sua entrevista mais descontraída. Além do encontro histórico entre Paulo César Caju e Mano Brown, dos Racionais (Parte 1/Parte 2). Se você ainda não viu, veja. O programa dessa semana traz uma conversa sensacional com o Lobão. Entre outras coisas, ele diz que é impossível torcer por um Kaká, com aquela cara de "Sandy & Júnior típico e bonzinho improvável".

Comentário de Abimael Forquilla: "A imprensa esportiva já tem um comentarista chamado Benjamin Back? Então está mais descontraída mesmo. Só falta agora aparecerem o Mário Marijuana e o Carlos Cannabis."

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Os 50 maiores clássicos do mundo

Em época de amistosos contra o Vietnã e Cingapura, temos que admitir que o futebol é um esporte sem fronteiras. Que clássicos como Asec Abidjan vs. Africa Sports, na Costa do Marfim ou Pirouzi vs. Esteghlal, no Irã, têm tanta rivalidade quanto um Palmeiras e Corinthians, um Fla-Flu, um Gre-Nal ou um Ba-Vi. Pelos menos segundo a revista inglesa, World Soccer. Em sua edição de julho, a publicação lista os 50 clássicos de maior rivalidade no mundo. Segue a lista completa. Listas são sempre divertidas.

1. Real Madrid vs Barcelona (Espanha)
2. Boca Juniors vs River Plate (Argentina)
3. Celtic vs Rangers (Escócia)
4. Galatasaray vs Fenerbahce (Turquia)
5. Ajax vs Feyenoord (Holanda)
6. Lazio vs Roma (Itália)
7. Shalke vs Borussia Dortmund (Alemanha)
8. Al Ahly vs Zamalek (Egito)
9. Betis vs Sevilla (Espanha)
10. Partizan Belgrade vs Red Star Belgrade (Sérvia)
11. Marseille vs Paris St. Germain (França)
12. Juventus vs Fiorentina (Itália)
13. Flamengo vs Vasco da Gama (Brasil)
14. Olympiacos vs Panathanaikos (Grécia)
15. Milan vs Internazionale (Itália)
16. Athletic Bilbao vs Real Sociedad (Espanha)
17. Benfica vs Porto (Portugal)
18. Corinthians vs Sao Paulo (Brasil)
19. Racing Club vs Independiente (Argentina)
20. America vs Guadalajara (México)
21. Nacional vs Penarol (Uruguai)
22. Pirouzi vs Esteghlal (Irã)
23. Spartak Moscow vs CSKA Moscow (Rússia)
24. Steaua Bucharest vs Dinamo Bucharest (Romênia)
25. Kaizer Chiefs vs Orlando Pirates (África do Sul)
26. Slave Prague vs Sparta Prague (República Tcheca)
27. Corinthians vs Santos (Brasil)
28. Liverpool vs Manchester United (Inglaterra)
29. Rosario Central vs Newell’s Old Boys (Argentina)
30. Cerro Porteno vs Olimpia (Paraguai)
31. Ferencvaros vs Ujpest (Hungria)
32. AIK Stockholm vs Djurgardens (Suécia)
33. CSKA Sofia vs Levski Sofia (Bulgária)
34. Genoa vs Sampdoria (Itália)
35. America vs Deportivo Cali (Colômbia)
36. Raja Casablanca vs Wydad Casablanca (Marrocos)
37. Basle vs Zurich (Suíca)
38. Rapid Wien vs Austria Wien (Áustria)
39. Barcelona vs Emelec (Equador)
40. Hajduk Split vs Dinamo Zagreb (Croácia))
41. Beitar Jersulam vs Hapoel Tel Aviv (Israel)
42. Arsenal vs Tottenham (Inglaterra)
43. Alianza Lima vs Universitario (Peru)
44. FC Copenhagen vs Brondby (Dinamarca)
45. Anderlecht vs Club Brugge (Bélgica)
46. Asec Abidjan vs Africa Sports (Costa do Marfim)
47. Sarajevo vs Zeljeznicar (Bósnia)
48. Mohun Bagan vs East Bengal (Índia)
49. Tenerife vs Las Palmas (Espanha)
50. Gremio vs Internacional (Brasil)

Comentário de Abimael Forquilla: "À medida que ia lendo a lista, fui tendo a impressão, não sei bem por que, de que em algum momento ia aparecer São Bento x Atlético Sorocaba. Essa lista é mais uma prova de que ninguém conhece futebol como os ingleses. Lendo-a compreendemos que não é à toa que os inventores do futebol estão toda hora ganhando Copa do Mundo e disputando título. Ganham tanto que, freqüentemente, para abrir oportunidade a outros países mais necessitados de conquistas, nem se classificam para os torneios, como fizeram na última Eurocopa e, se bobear, farão também nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Primeiro mundo é outra coisa."