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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Diário de um Urso - II


"Querido Diário

Hoje fui conhecer meu novo time. Tipo assim, eu sabia que ficava perto da Marginal. Mas sei lá, fala sério, fica bem do lado do rio. Fede. Ai, sei lá. De repente é só coisa de momento. Ainda falta um pouco de química.

Tem um cara aqui que fica me cutucando, dizendo que o Vampeta não reclamava. Eu nem sei quem é esse tal de Vampeta. Cruzes!

Logo, logo tem o primeiro treino. O CT deles até que é legal. Parece que tem capacidade pra 12 mil pessoas. Lembra até uma fazenda. Não vejo a hora de conhecer o estádio, de entrar em campo maravilhosa, digo, maravilhoso.

Já me disseram pra não ficar nervoso, porque parece que tem um bando de louco que fica rondando o CT e gritando umas coisas obscenas (A-DO-RO!).

Vamos ver se a química rola, Diário.

Beijos"

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Diário de um Urso - I


"Querido diário:

Hoje fui contratado por um time de São Paulo. Não sei ainda qual foi, mas parece que tem um centro de treinamento legal. Minha mãe ligou, eu vi que era ela no 'bina' e achei melhor não atender. Meu empresário disse que mulher dá azar. Eu concordo.

A única coisa que perguntei era se alguém ia me esperar em Cumbica. Disseram pra eu pegar um táxi que saía mais barato. Pelo jeito, o CT deles fica perto da Marginal. Tomara que o estádio deles seja mais perto do centro da cidade. Se não for, pode ser perto da avenida do Jóquei. Ali também tem umas baladas quentes.

Quando eu descobrir qual é o time, eu conto pra você, Diário. Agora, vou sair porque hoje tem uma festa de despedida do Rio lá na Galeria Alaska e eu já tou atrasado pra me maquiar.

Beijos"

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"Nós queremos outro jogo"

A seleção americana de futebol feminino até hoje não conseguiu assimilar a derrota para o Brasil na semifinal do Mundial, em setembro do ano passado. Para exemplificar isso, o globoesporte.com trouxe hoje um link para um vídeo de um comercial de carros que trás as americanas como personagens principais.

O tal vídeo é um festival de bizarrices. Elas viajam de carro dos EUA ao Rio de Janeiro, via México, para propor uma revanche às brasileiras. Você verá que, como tudo neste filme, as cenas do Rio de Janeiro e do estádio onde a seleção brasileira está treinando são muito verossímeis. Sem falar no sotaque carioquíssimo da atleta brasileira.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quem te viu, quem te vê

A seleção brasileira feminina de futebol já não levanta a torcida como antigamente. Anos atrás, dava gosto de ver as minas jogarem! Uma mais feinha que a outra – o que até é bom, assim a gente se concentra mais no jogo –, mas tão boazinhas, tão simpáticas, que não tinha como não acompanhar e dar uma força. E elas jogavam, hein! Era 5 a 0 num dia, 7 a 1 no outro e de vez em quando um 9 a 0. Fora as jogadinhas de efeito, as enfeitadas, as firulinhas e os totozinhos de primeira que, para aqueles desprendidos que não ligam para o resultado, normalmente atleticanos e botafoguenses, às vezes são até mais importantes que a vitória.

É, mas os anos dourados do futebol feminino já ficaram para trás... As meninas amadureceram, tornaram-se favoritas a tudo quanto é título, tiveram de se adaptar à nova realidade e ficaram mais folgadas que o Renato Gaúcho. Como normalmente acontece nesses casos, a pose de campeão de véspera veio acompanhada de uma considerável diminuição no rendimento da equipe, cujos jogos na China andam tão empolgantes quanto as provas de adestramento de cavalo. No 2 a 1 contra a Coréia do Norte, Cristiane, para não deixar dúvida de que os tempos são outros, ao ser substituída por Pretinha, armou uma confusão digna dos melhores momentos de Carlos Alberto, quando muda o penteado e começa a forçar a barra para sair do clube. Teve de ser contida pelas colegas de banco, para não se atracar com o treinador, que pode até voltar de lá sem medalha, mas já provou que é o melhor do mundo em matéria de paciência com mulher feia.

Futebol é assim, gente: vira e mexe alguém faz tanto sucesso, que deixa o sucesso subir à cabeça. Por isso que a gente tem de enaltecer o Hugo, do São Paulo. Ele liga tão pouco para o sucesso, que nem precisou fazer sucesso em alguma coisa para começar a se comportar como se fizesse.

O Hugo era um que a gente achava que, nessa altura, já ia ser dono de posto de gasolina ou de negócio na área de confecção, o tipo de empreendimento em que ex-atleta se mete logo após deixar os gramados e pouco antes de começar a pedir dinheiro emprestado na praça. Afinal de contas, o que esperar de um jogador dispensado pelo Corinthians, clube em que dar carrinho, entrar em dividida, agir como maloqueiro ou simplesmente saber contar piada já é suficiente para virar ídolo da torcida? Se não serviu para o Corinthians e não agradou no Grêmio, só o posto de gasolina o salvaria de acabar na segunda divisão do Rio, aceitando moto sem documento e AK-47 como pagamento por salários atrasados.

Mas que nada! Hugo virou titular no São Paulo e, depois da derrota para o Fluminense, todo contentinho por ter feito mais um de seus surpreendentes golzinhos, pôs para fora o Renato Gaúcho que havia dentro de si: “Fico chateado pelo fato de termos perdido para uma equipe inferior”. Imagine o que Hugo não vai falar no dia em que o São Paulo conseguir levar menos de três gols do Fluminense, hein!

Contudo, em termos de transformação repentina, ninguém é páreo para Dentinho, do Corinthians. Semana retrasada, após um treino, todo encabulado, fez o que pôde para se livrar de Monique Evans, a repórter que aborda o entrevistado de modo sempre objetivo, com perguntas complexas, cuidadosamente preparadas, como: “Posso pegar na tua bunda?”, “Posso ver teu umbiguinho?”, “O que é esse volume aqui no teu calção?”. A falta de jeito do menino a cada pergunta deixava claro que ele ainda não era um atleta maduro, verdadeiramente pronto para encarar a dura rotina de um jogador profissional.

Pois eis que, semana passada, do nada, o moleque aparece, cheio de malícia, cheio de idéia, mais soltinho que o Vampeta, puxando papo com todo mundo, dando preferência às mulheres na hora do autógrafo e usando uma faixa preta para prender o cabelo, tipo Ronaldinho Gaúcho, embora nem tenha tanto cabelo para prender. Os jornalistas, apressados, atribuíram sua mudança de atitude aos elogios que lhe foram feitos pela imprensa espanhola, que se refere a ele como “nova jóia”, e principalmente ao boato de que o Real Madrid, a Inter de Milão, o Arsenal, o Lyon, o Zaragoza e até o Al Hilal brigam para contratá-lo. Faz sentido, é verdade. Mas aquele sorriso, aquela alegria toda, não pode ser só porque ele conheceu o sucesso e está louco para morar na Europa... Esse Dentinho finalmente conseguiu comer alguém, hein!