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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sobre a genialidade

A capacidade matematico-estatística que um ser humano pode demonstrar é sensacional. Não é qualquer um que pode definir com precisão quanto de vantagem um time pode ter quando tem 25 mil torcedores a mais no estádio. André Dias pode.

Ontem o time do São Paulo venceu o Oeste, em casa, por 3x0. Novidade? Não, nada diferente do previsto. Os sites globoesporte.com e a página de esportes do UOL ressaltaram o time do Morumbi e Washington são 100% com esquema 4-4-2. Três jogos, três gols do camisa 9 e três vitórias da equipe. Como é linda a matemática! E, por cima, a mídia ainda insiste em acreditar naquele papinho do rodízio de jogadores. Muricy, o pai da criança, defende: "Tem que variar mesmo. Jogar com uma formação só não me agrada, porque os times vêm aqui e sabem como marcar". A primeira frase da matéria do globoesporte, vai contra a declaração do técnico, pois indica que o SP é o time mais acostumado a jogar com 3 zagueiros, ou seja, geralmente joga com 3-5-2. Não há como argumentar que Muricy eventualmente tenha usado o 3-4-3: nenhum técnico brasileiro é macho o suficiente para bancar este esquema tático.

Ok. Tudo isso é palha. O bom mesmo é a humildade de Rogério Ceni. No alto dos seus 36 anos, mui ágil, disse que o 4-4-2 é bom e que quando o time for ao ataque, ele pode fazer o papel do 3º zagueiro. O cara quer ser o goleiro, o zagueiro e o artilheiro do time; se o Muricy vacilar, vira técnico também. Na mesma matéria, Ceni diz que pode ser 3, 2, 1, 1/2 e etc. pois na zaga do SP "só tem gênio". Ainda bem... André Dias, 29 ... quando você dá uma olhada na carreira dele - uau! - espetáculo!

* * *

Cuca está implementando o jeito campeão que fez com que ele levasse o Botafogo a vários vices e eliminações em quartas e oitavas para o Flamengo. O resultado já aparece: 3x1 para o Resende na semifinal da Taça Guanabara mostra que as coisas já estão acontecendo. Porém, o novo trunfo é realmente um golpe de gênio: pegue dois laterais; os dois vão jogar juntos, ao mesmo tempo, na mesma lateral; um vai fazer o papel de meia, sendo lateral; o outro, o papel de zagueiro, mesmo sem ter nunca jogado na posição. O Cuca deveria ir para o Vasco, pois o plano é digno da "Inteligência Portuguesa".

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O Fenómeno está mostrando ao que veio: tempo atrás, uma moça montou no ombros dele numa balada em SP e agora, ao concentrar com a equipe em Presidente Prudente, não retorna à concentração no horário devido (23h), mas horas depois, às 5h30; deixa o elenco esperando e não treina no dia seguinte. A diretoria promete punição...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Repórter é torcedor

Eu não sei se isso fica claro pra todo mundo. Mas se o cara decide ser repórter e trabalhar com o futebol, é porque ele gosta muito do esporte. E o que fez ele amar tanto assim o futebol a ponto de escolher uma profissão que o deixasse mais próximo desse mundo? A paixão por algum clube! Você realmente acha que depois de se tornar profissional o jornalista esportivo, principalmente os que falam de futebol, esquecem essa paixão?

Então assista o vídeo abaixo. Pra quem não sabe, o rapaz é o reporter Sandro Gama da Band.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Como se forja um mito

Durante este semana, percebi algo insólito no site Globoesporte.com: todo dia uma reportagem sobre o goleiro do Flamengo, Bruno. Ok, por ocasiões gente como Luxemburgo cria notícia todo santo dia. Mas não é este o caso. As matérias sobre Bruno são daquelas amenas, "fofinhas" e que mostram como ele é bom moço. Qual é a rezão disso? Apagar o episódio de Minas? Alavancar a moral rubro-negra em direção à vaga na Libertadores? Ou Bruno tem um grande assessor de imprensa? Se for esta última, preciso do telefone deste cara.

Vou listar as últimas matérias publicadas: 25/11, 25/11a26/11, 26/11a, 27/11 e 28/11. Leia e diga se é estranho ou não.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Máfia F.C.

O mundo bizarro de gabinetes e conchavos marca o final do Brasileirão de 2008: Simon “erra” e vai para a série B; São Paulo não é punido pela invasão de campo no jogo contra a Lusa (que novidade), mas o Goiás é - pelo episódio na Serra Dourada contra o Cruzeiro. O esmeraldino tem medo do juiz do jogo do próximo domingo contra o Flamengo. Agregado aos problemas já cotidianos da CBF e do STJD, surge agora o assunto “mala branca” (nosso blog, onde se faz jornalismo, mencionou o fato em seu 16º podcast): Renato Gaúcho diz que é normal; Evandro, do Palmeiras, diz que recebeu um tanto para ajudar a rebaixar o Corinthians ano passado (quer dizer que ele fez diferença? Alguém tem que contar isso para o della Monica! Ei, della Monica, aumenta o salário do menino ou ofereça um bicho para cada bom jogo que ele fizer – assim, talvez o infeliz jogue bola).

O fato mais curioso sobre o pênalti supostamente sofrido por Tardelli e não anotado é que mostra quem tem poder de barganha e quem não tem: creio que o pênalti cometido (e não marcado) por Bruno em Jorge Henrique, naquele jogo que a CBF meteu a mão e “tirou” mando de campo do Bota ao levar o jogo para o Maracanã, foi mais claro, ou seja, um erro maior... se eu fosse botafoguense, acusaria o árbitro Marcelo de Lima Henrique de ser caseiro. Voltando ao Flamengo: quem tem, põe o pau na mesa; quem não tem, roda e fica pianinho.

Há muito, qualquer um com discernimento sabe que o São Paulo tem alguma coisa com o STJD. O tempo passa e as coisas ficam mais claras: acontecimentos semelhantes resultam em veredictos distintos. Citando um amigo meu: esta situação continuará a mesma enquanto não definirem punições claras para eventuais infrações (i.e.: invasão de campo: x jogos sem mando; bater no juiz: x jogos de suspensão; etc..). O STJD é claramente parcial, obscuro e fraudulento.

Mala branca: nenhum torcedor acha que o time joga por amor à camisa, exclusivamente; seria absurdo imaginar tal coisa. Jogadores são profissionais como quaisquer outros, fazem o que fazem por gosto e dinheiro. Ok, mas não precisa deixar a parte mercenária tão escancarada. O caso mais crônico, ao meu ver,  é o do Evandro: o palmeirense deve ter ficado puto (e, ao mesmo tempo, feliz) ao saber que quando deram um a mais ele se empenhou.

E assim vamos. O São Paulo será campeão.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pequenas notas

Como certa vez disse Saulo Milleri Biral, um de nossos leitores, o problema do Flamengo é a soberba. Márcio Braga discorda. O dirigente diz que falta "arrogância" ao time rubro-negro e que, numa reminiscência proustiana, sentiu-se tão abalado após o empate contra a Luza como quando criança. Eis alguém que conhece de "crisis management".

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O Globoesporte.com lancou esta semana o Futpédia: uma base de dados sobre o futebol brasileiro. A princípio, somente há dados sobre o campeonato brasileiro, de 1971 até 2007, porém, ano que vém, a ferramenta contará com informações sobre os campeonatos carioca e paulista, desde a fase amadora até hoje. Uma boa iniciativa. Muito bacana.

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Está enchendo o saco esta historinha entre Luxemburgo e Muricy Ramalho. Alfinetada de cá e de lá. O que que é isso? São adultos. Parece picuinha de pátio de escola. Quer brigar? Ok, mas faça como homem, ou melhor, como Schopenhauer: ofensa verbal, agressão, cuspe, arma branca e arma de fogo - nesta ordem. Em entrevista recente, Muricy criticou as capacidades de Luxemburgo como comentarista e o fato dele não ter acompanhado o time na viagem para Argentina; algo irritante: sempre depois de uma crítica, o são-paulino emendava: "mas a gente tem que respeitar". Pô! diz que o cara está fazendo besteira e depois passa o pano? Pare com isso, tome vergonha na cara e vire homem: ofenda, critique e mande aquele abraço!

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Como prometido no podcast, segue o link para a divisão das torcidas em clássicos no Maracanã. Notem que Flamengo e Vasco não flutuam, têm lugar "cativo", e que o acordo data de 1950: algo impressionante para este país e aquela cidade.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Em semana de clássicos

É sempre lindo ouvir aquilo que se ouve antes dos clássicos: discursos cordiais, gentilezas e muito raciocínio analítico. No fim de semana teremos três clássicos: Vasco x Flamengo, Palmeiras x São Paulo e Atlético Mineiro x Cruzeiro. Este último, creio que não vale a pena descutirmos aqui, por duas razões: o resultado é mais ou menos previsível (já que não involve o Flamengo) e pouco está sendo dito sobre ele. 

Vasco e Flamengo:
Duelo de falastrões: Renato Gaúcho, Roberto Dinamite e Marcio Braga. Ui! Poucos sobreviverão. Marcinho do amendoim disse: "Só vejo que o Vasco está mal no campeonato, que o time é fraco e está passando por dificuldades (um possível rebaixamento)". Numa súbita crise de consciência, o dirigente rubro-negro tentou desmentir ou, pelo menos, amenizar as declarações (o rapaz tem um bom coração), mas não fez aquela cortez ligação para São Januário.
Dinamite rebate: "O dirigente tem que falar pouco e trabalhar muito para dar condições aos jogadores. Nós, presidente, diretores, ttemos que dar condição para o grande espetáculo". Ufa! Ainda bem alguém sereno no mundo do futebol. Veja e aprenda, Marcio, como se deve tocar um clube; veja o clima de harmonia do Vasco. Bravo, Dinamite!
Na mesma ocasião, Dinamite disse que no tempo dele não era necessário que rolasse uma briga de comadre para encher o estádio, bastava o futebol. Os tempos são outros...
Renato Gaúcho me preocupa. O menino tão falante, garboso anda meio cabisbaixo e introspectivo. Nem quis armar uma briga como o Marcio Braga. Levem para o médico! O rapaz deve estar doente...
Um último episódio vascaino: Odvan dá uma entrada violenta em Leandro Amaral e, segundo tudo indica, tira o atacante do clássico. Odvan é um dos maiores fanfarões que o mundo já viu; o cara é bom! Ou seria isso uma falsa notícia, um mis en scène da Inteligência Portuguesa?

Palmeiras e São Paulo:
Um bate-boca de lavadeira, mas sem aquele tempeiro carioca. Leandro e Diego Souza disseram que o Palmeiras tinha 70% de chance de ganhar o clássico por jogar em casa, partindo, supostamente, do retrospecto do time como mandante no campeonato. Muricy se ressentiu e rebateu, valendo-se de ironia: 30% de chance era bom demais e que o São Paulo é favorito. Para emendar, usou a cornetagem de Marcinho contra os rivais e, finalmente, evocou a antiga máxima que o futebol se ganha no campo. Luxemburgo seguiu com a rusga e defendeu seus homens dizendo que eles não disseram nenhum absurdo e que tudo aquilo não passava de tempestade em copo d'água. Diego Souza chegou com a faca nos dente e um discurso a la "Churchill": "Se for preciso, vou suar sangue em campo para sair vitorioso". 
E assim seguiremos até a gozação de segunda-feira.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O cartola bi-polar

O Flamengo tem aquilo que todo time precisa: um cartola corneteiro. Meu deus! O cara é pior que a turma do amendoim lá do Palestra Itália. 1º ato: Flamengo ganha do Náutico, dois a zero, Marcio Braga alucina: já encomendei o chopp, já pedi para a tia fazer a fejuca e é só esperar, pois em dezembro fai rolar a balada do hexa. Ótimo. O time todo ficou bem paquito, com a bola cheia, afinal quem tem medo do Atlético Mineiro? Medo, não sei, mas cautela é bom. 2º ato: Atlético três a zero; Maracanã bombando. (recomendação de um palmeirense: é assim que o Caio Jr. funciona: ele abre o bico, no vamos ver, pipoca... faz tempo que digo isso) 3º ato: como reage Marcinho, the party animal? Tudo acabou! Brasileiro? Só em 2009. Que lixo de time.. etc. 

Reflitamos da maneira mais racional que o futebol possa nos permitir. Cenário: você um jogador do Flamengo; seu time teve uma campanha de altos e baixos, incrementada com uma seqüência assustadora de derrotas e empates no meio do ano; seu time vence um outro que briga para não cair num jogo morno; o cartola começa a falar, ninguém sabe a razão, de festa do hexa; sabadão, Maracanã cheio e chocolate; aquilo que era euforia vira pessimismo schopenhauriano. E o jogador? Enlouquesse, provavelmente. Marcio Braga é um terrorista. Caro leitor, a moral da fábula flamenguista é similar a da fluminense: falar muito não dá bom resultado.

Veja uma pequenina matéria feita pelo pessoal do globoesporte.com sobre uma maldição do Maracanã cheio e constate a genialidade de Eurico Miranda no episódio de 30 de dezembro de 2000 no estádio de São Januário.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Deus me livre!

A imprensa carioca bem que tentou, mas não conseguiu arrumar assunto para mais um capítulo na novela que se tornou a contratação de Márcio Careca pelo Vasco. Perguntaram ao vice-presidente de futebol do clube, Manoel Fontes, se é verdade que o Vasco, pra ter o jogador, vai mesmo brigar com o Barueri, time de Careca, na Justiça. O dirigente disse, em resposta, a única coisa que pode sair da boca de um homem de bem numa hora dessas: “Deus me livre”!

Enquanto o Vasco luta bravamente para convencer os repórteres do Rio a parar de perguntar por Márcio Careca, um de seus atletas, Madson, acha que o momento é oportuno para pedir aumento. Prometeram para o moleque, no começo do campeonato, que, se ele jogasse dez partidas como titular, receberia um adicional bacana, pra poder comprar um carro da hora e levar umas minas de Del Castilho pra dar rolê na Lagoa. Madson era reserva e não entrava nunca. Pois virou o “homem de confiança” (outra expressão bonita da crônica esportiva brasileira) de Tita, completou os dez jogos e, louquinho pra se jogar na night, foi cobrar o dinheiro. A diretoria do Vasco não disse nem que sim nem que não, e isso, vindo do Vasco, a gente já sabe o que significa... Significa que “Deus me livre”!

Já passou da hora de o Vasco copiar a organização do Flamengo. O Mengo, sim, sabe administrar orçamento, montar elenco, planejar temporada. Esta semana a diretoria apresentou, toda contentinha, o saldo desse período de negociações. A ida de Marcinho para algum lugar deserto no Oriente Médio não rendeu muito: R$ 750 mil. Já a venda de Souza ao Panathinaikos valeu R$ 4,75 milhões. Negocião. Em condições normais, a Justiça exigiria que o Flamengo pagasse para alguém levar o Souza, mas a diretoria rubro-negra encheu os gregos de caipirinha e, depois de algumas doses, os fanfarrões não só pagaram caro pelo Souza, como já estavam quase querendo também o Toró. Nada que se compare, contudo, aos R$ 13 milhões que o clube embolsou com a ida de Renato Augusto para o Bayer Leverkusen.

Sim: dezoito milhões e meio, somando tudo. Aí, o Flamengo, montado na grana, mostrou como é que se faz. Saiu às compras. Mas com cautela. O bom e barato, afinal, é uma receita que já rendeu frutos a muitos clubes. O Botafogo, por exemplo, foi até vice-campeão da Série B, usando essa estratégia.

Primeiro veio Eltinho, que estava no Cruzeiro, embora em toda a Grande BH ninguém soubesse disso. Baratinho. Duzentas merrecas. Fernando, do Mixto, mais desconhecido do que o clube em que estava, não veio assim tão fácil. Duzentas mil e quinhentas merrecas. Sambueza é argentino, estava no River, sabe das coisas. Não ia vir levar bomba de graça no Rio. Custou R$ 750 mil. Vandinho, do Avaí, parecia que ia dificultar. Afinal, é rodado, seus olhinhos sofridos já viram de um tudo nessa vida, sabe o que acontece quando a torcida pula o alambrado. Mas saiu por R$ 400 mil. Fernandão, quem quer que seja, para escapar de uns judeus que lhe cobravam juros em Israel, onde jogava, quase pagou para vir. Custou ao Flamengo R$ 50 mil. Como quem poupa tem, sobrou grana para o Flamengo fazer uma presença com a torcida e trazer um nome de peso, de arrebentar, de calar a boca do Eurico Miranda. Assim se chegou a Marcelinho Paraíba, ao preço de quase R$ 1,8 milhão. Finalmente, mostrando que não ligam pra dinheiro, os dirigentes flamenguistas esbanjaram R$ 1,2 milhão com Josiel, que era do Paraná e estava curtindo um calor nos Emirados Árabes, e R$ 240 mil com o chileno Gonzalo Fierro.

Valeu a pena garimpar esses talentos. O Flamengo fez uma baita economia e conseguiu formar o maior elenco do futebol brasileiro: entre latino-americanos milongueiros, cariocas legítimos e refugiados de Israel, 38 sujeitos na Gávea estragando roupa, deixando torneira pingando e combinando balada. Depois, lembrando que o Caio Júnior é do tipo que valoriza até o terceiro reserva e gosta de saber de um por um, antes do treino, como é que vai a família, a diretoria do Flamengo, pra poupar trabalho, dispensou quatro e, malandra que só, convenceu o Paraná Clube a ficar com eles. Sem pagar nada. Só na amizade mesmo.

Vandinho é seguramente o símbolo dessa leva de reforços flamenguistas. Sua contratação mostra como a diretoria rubro-negra estudou cada contratação e fez os negócios com cuidado, buscando sempre o melhor para o clube. Tudo começou com um contato entre o Flamengo e o Avaí (o Flamengo, claro, prima pela ética, e não é do tipo que já vai pondo minhoca na cabeça do jogador, sem nem falar com o clube em que o sujeito joga). O Avaí, ao saber do interesse do clube carioca por Vandinho, generosamente, compreendendo o momento difícil, a necessidade da equipe da Gávea, não ofereceu obstáculo: permitiu que os flamenguistas se entendessem logo com o atleta. Vandinho também não precisou de mais que alguns segundos para fechar. Já estava com a caneta na mão, pra assinar contrato, antes mesmo de o contrato ser redigido. Saiu de Santa Catarina direto para o Rio. Não inventou que tinha de resolver “problemas particulares”, visitar a mãe não sei onde nem nada. Chegou, apresentou-se e foi treinar. Como a torcida gosta. Como tem de ser. O preparador físico do Flamengo, Ronaldo Torres, contudo, estranhou, já no primeiro treino, que o jogador praticamente não saía do lugar. Não se apresentava. Não pedia a bola. Só sorria e batia palma pra passe errado. Mas eram os primeiros momentos. Clube novo. Clube grande. Podia ser só timidez, nervosismo, saudade do baião de dois da avó. Mas no segundo treino foi a mesma coisa. Ronaldo ficou de olho e, como o desempenho do atacante não melhorava, depois do jogo contra o Goiás, em que Vandinho foi substituído e saiu manquitolando, encostou o cara na parede. E a verdade, sempre tão bela, apareceu: “Ele já tinha um problema na coxa quando ainda estava no Avaí. Escondeu a contusão com medo de que a negociação pudesse ser cancelada”, revelou Torres. Vandinho, o sincero, explicou à imprensa que fez isso por amor, para realizar seu sonho de jogar no Flamengo.

O Flamengo é mesmo um sonho! É um dos raros clubes que tem a coragem de dispensar o exame médico pré-contratação, essa burocracia dos diabos, que só serve pra atrasar o registro do jogador na CBF. O Palmeiras também já fez muito isso, com sucesso, quando contratava Pedrinho e Jardel de olhos fechados, sem checar referências e confiando na palavra do atleta.

Vandinho, de qualquer modo, logo deve voltar, novinho em folha. E é importante que, nessa hora, o torcedor saiba perdoar o atleta. É importante apoiar o jogador e esse maravilhoso grupo de trinta e quatro guerreiros. A palavra de ordem tem de ser uma só. Um só discurso, um só coração. E a frase certa para unir Caio Júnior, elenco e torcedores nesse momento é aquela que os vascaínos conhecem melhor do que ninguém: “Deus me livre”!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Caio Jr. leva Fierro para fazer "um bom trabalho"

Depois de surpreender o mercado mundial de futebol ao contratar Sambueza, o Flamengo dá mais um passo rumo à conquista de uma vaga na Copa Sul Americana 2009. Agora, o professor Caio Jr. pode completar o seu raciocínio: não fui para o Catar, acabei levando Fierro.

O meia-atacante do Colo Colo - time e índio traidor do Chile - chega à Gávea para somar. Como pouca piada pronta é bobagem, o diretor flamenguista a apresentar o Fierro à torcida foi Plínio Pinto. "Agora acreditamos que Caio Júnior tem elenco para fazer um bom trabalho até o fim do ano", mandou o Plínio.

O uso da expressão "um bom trabalho" no meio futebolístico já foi bem explorado por Irineu Perpetuo na primeira edição do nosso podcast - aliás, já ouviu o novo, que tá pingando na área desde ontem? Se não ouviu, tá caçando mais borboleta que o Clemer.

Uma pena que Plínio Pinto também tenha dito que o chileno "encerra o ciclo de contratações" do mengão para o segundo semestre. Para completar o time, a urubuzada poderia contratar algum centroavante rompedor chamado "En la Muñeca", dupla ideal para Fierro.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Comentários sobre a rodada

A penúltima rodada do primeiro turno não apresentou grandes surpresas, com exceção do confronto tricolor: apesar de improvável, seguiu o padrão do ano.
Quarta-feira, dia 6 de agosto:

Grêmio 1 x 0 Ipatinga: obviamente roubado, como de hábito (eu não esqueci do episódio de 95; era muito jovem para esquecer).

Atlético-PR 2 x 0 Náutico, Sport 2 x 0 Portuguesa: pega da parte de baixo da tabela; não configura notícia. Sem elementos picantes.

Santos 2 x 3 Altético-MG: uma pena; o time pequeno em que Pelé jogou, querido da garotada... é isso que acontece quando deixam dirigente (um mago, no caso) por muito tempo: rebaixamento. Com todo respeito que tenho pelo Peixe, minha torcida segue neste sentido. Fiz uma aposta. O alento: pode ser que o Santos tenha o artinheiro do campeonato.

Vasco 0 x 2 Coritiba: descendo a ladeira! Um amigo carioca já me disse: "Pô, mermão! Tu fica achando que o Peixe vai rebaixar? Né não. Se tem um grande que vai para a segunda, é o Vasco que vai". Deixo claro que não há conluio nem má fé, pois ele não é flamenguista.

Goiás 2 x 1 Flamengo: quem me conhece já ouviu, disse que não rola confiar no Caio Jr. Bom moço, aplicado, mas está longe de conseguir agüentar o tranco.

A cereja do bolo: pã-pã-pã-pãã!
Fluminense 3 x 1 São Paulo: há muita coisa para dizer, mas que não pode ser escrita. Jogo horrível. O primeiro tempo foi tão monótono que fui lavar roupa. No começo do segundo tempo, o gol do tricolor do Morumbi já me fez pensar que rolaria um chocolate... mas não. Washington deu o chocolate - sim, ele. Ruim de mira, o oportunista, aquele que já foi chamado de "O Iluminado". O último gol é digno de nota: uma lambança na área do São Paulo, todo mundo fazendo coisa feia. Na pelada aqui da redação sai coisa melhor. Porém, neste ano, a mistura de tricolores e Maracanã gerou lances deste tipo.

Recordar é viver:

Veja o último gol do jogo de ontem:

Quinta-feira, dia 7 de agosto:

Palmeiras 3 x 0 Vitória: grande vitória, com o perdão do trocadilho. Se a mídia não fosse infestada de são-paulinos e corintianos, Sandro Silva seria destaque. Que golaço ele fez! Me fez ter saudade de Edmundo: 14 de novembro do ano passado, Palestra Itália e a mangueira de São Pedro furada. Quanta água caiu... e Edmundo carregando a bola, tranqüilo, de poça em poça. Pouca relação, só uma memória de torcedor.

Cruzeiro 2 x 0 Internacional: que pena! Gosto do Internacional, por algumas razões, mas, principalmente, porque é o rival do Grêmio na cosmontologia zoroástrica gaúcha. Nilmar perdeu um pênalti. Le pauvre.

Figueirense 1 x 2 Botafogo: será que depois do Cuca os caras vão tomar um rumo? Falando no cara, será que o Santos vai se recuperar e tomar o mesmo rumo, caso o Botafogo tome um rumo? Não, a estrela solitária parece melhor hoje. Lembremos, no entanto, que domingo eles estão ferrados: Gladstone não jogará! Sem o espião, o agente duplo, fica difícil. Mas volta Gustavo...

Comentário de Abimael Forquilla: Se Gabriel Foots já não tivesse confessado ser palmeirense, bastaria esta sua frase para que o mundo o reconhecesse como um suíno da mais enlameada espécie: 'Eu não esqueci do episódio de 95'. O episódio a que Foots se refere sem prestar maiores satisfações ao leitor deve ser, se ele não está tentando nos confundir (palmeirense é cheio de milonga!), a memorável pancadaria - decisiva para a popularização do Vale Tudo no Brasil - entre Grêmio e Palmeiras, no Olímpico, na Libertadores de 95. Agora me diga: quem mais, se não um palmeirense, é capaz de recordar, não perdoar e ainda se magoar com fatos ocorridos treze anos atrás? De qualquer forma, mesmo que Foots não tivesse se referido ao jogo de 95, ainda assim saberíamos de seu gosto por chiqueiros, currais e pocilgas em geral. Quem mais, se não um palmeirense, falaria em 'cosmontologia zoroástrica', no meio de uma conversa sobre futebol? Palmeirense é assim: vive citando coisas de que ninguém nunca ouviu falar, mas que ele jura que existem. Como o mundial de clubes de 51, por exemplo.

Mais queimado que a pira olímpica

Os Jogos Olímpicos ainda nem começaram direito e já tem mulher chorando! Larissa, do vôlei de praia, desabou ao despedir-se da amiga Juliana, que não se recuperou de contusão e deu lugar a Ana Paula, aquela mesma, a eterna musa das quadras. Ninguém jamais saberá se o choro era de dó da companheira machucada ou de desespero de ter de estrear amanhã jogando ao lado de uma pessoa com quem nunca sequer treinou e com quem só treinará poucas horas antes da primeira partida, numa quadrinha descolada pela delegação brasileira na base do xaveco. Larissa está afobada à toa. Esse negócio de jamais ter jogado junto nunca foi empecilho pra nada. Ronaldo e Adriano também jamais jogaram juntos, mesmo estando a poucos metros um do outro, no ataque da Seleção, em 2006, e isso não impediu Ronaldo de cuidar da própria vida e sair da Alemanha como o maior goleador da história das Copas, absolutamente indiferente ao que Adriano fazia enquanto isso ali do lado. Faz o teu, Larissa, e deixa a Ana Paula levar torcida, que o que vai de homem atrás dela é inacreditável! E não há aqui nenhum duplo sentido em “o que vai de homem atrás dela”, antes que me acusem de tratar mulher que nem o Émerson Leão trata.

Se tudo der errado, resta a Larissa o consolo de pensar que nada no mundo pode ser pior do que jogar no Flamengo. O Flamengo vai treinar, o torcedor joga bomba. O Flamengo vai jogar com o Goiás, o torcedor joga bomba. É o acordo do ano: a torcida joga bomba e o time não joga nada! O Flamengo tá mais queimado que a pira olímpica!

Muito mais civilizada é a torcida do Náutico, que protestou atirando pipoca nos jogadores. Deu tão certo a manifestação, que Everaldo, zagueiro do time, tomou a iniciativa de conversar com os torcedores. Os caras perguntavam e Everaldo respondia. As perguntas eram duras, mas o zagueiro tinha explicação para tudo, tinha sempre uma boa resposta na ponta da língua. Parecia aquelas disputas de repentistas, muito populares no nordeste. Até que, uma hora, um torcedor perguntou ao atleta sobre o próximo jogo da equipe: “Se a gente não ganhar do Santos, vai ganhar de quem”? Essa resposta Everaldo está procurando até agora...

Se o Náutico não ganhar do Santos, meu conselho ao torcedor pernambucano é um só: faça como Larissa – chore! Mas chore mais do que todas as mulheres juntas ainda chorarão em Pequim, isso se o Flamengo não inventar de excursionar por lá e tudo não acabar em bomba.

Por falar em Santos, na Vila Belmiro também teve empurra-empurra e ameaça de bomba, na quarta-feira. Mas a diretoria agiu logo e mandou chamar o único homem capaz de garantir a segurança dos jogadores santistas num momento como esse: Serginho Chulapa, imenso e com aquele velho gingado. Ele está de volta à comissão técnica do clube, oficialmente como auxiliar, mas, na prática, para distribuir pescotapa em quem sonhar chegar perto do vestiário sem autorização. Tá com o Chulapa, tá com o Chuck Norris. Não tem pra Pequim nem pra ninguém – a Vila deve ser o lugar mais seguro do planeta nesse momento. A única coisa que os jogadores do Santos têm a temer agora é o próprio Serginho Chulapa...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

De bico

- Da série "rankings que odiamos mas não deixamos de conferir", a FIFA divulgou o seu ranking para o mês de julho. Espanha, campeã da Euro, em primeiro lugar. Alemanha em segundo e Itália em terceiro. O Brasil, em sexto lugar, ocupa a sua pior posição desde 1993. O curioso é que a Inglaterra, sem jogar desde o início de junho, subiu uma posição, de 15° para 14°.

- Ainda na mesma série, a IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol) divulgou ontem o seu ranking de clubes. O Manchester United aparece em primeiro lugar, seguido por Glasgow Rangers (eliminado ontem da fase preliminar da Copa dos Campeões) e Chelsea. O clube brasileiro melhor colocado é o São Paulo, em 11° lugar.

- A fase anda tão ruim para o Flamengo, que o argentino Leandro Gracian, totalmente desvalorizado no Boca Juniors, disse que não pretende sair do clube e recusou a proposta para jogar no Brasil. Sem falar no que eu acabei de ver. O atacante uruguaio Morales, que já tinha acertado sua contratação, refugou.

- Sou contra a elitização do público de futebol. Tem que ter espaço em estádio para aquele torcedor que não pode pagar pelo lugar mais confortável. Por isso, apoio o texto do jornalista André Rizek escrito hoje em seu blog sobre o tema. Ele se baseia em matéria publicada hoje pelo Lance que analisa o fato de o Palmeiras ser o terceiro clube em arrecadação do Brasileirão embora tenha a décima melhor média de público.

Comentário de Abimael Forquilla: "No Canindé nunca teve esse negócio de 'lugar mais confortável'. Mais vazio que o pensamento do Milton Neves, é o único estádio em que o torcedor não precisa se preocupar com nada e em que a polícia, compreensiva, deixa o público, pra fazer volume, entrar carregando fantasia de carnaval, Chapolin inflável, velhos discos de fado, bacalhau de toda procedência e vários outros artigos que dão um 'efeito multidão' e ainda servem para atirar nos jogadores ao fim da partida."

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Os vídeos que todos gostariam de ver

Quanto mais a diretoria do Flamengo explica, menos dá para entender como vai ser afinal a tal parceria com o Google. O clube vai ter um site, dentro do YouTube, chamado Fla-Google. Tá. Um canal com vídeos exclusivos. Tá.

Que vídeos? Não de imagens de jogos do Flamengo, que todo mundo vê em tudo quanto é lugar. Nem de treinos, que o Flamengo nunca foi disso. Seriam vídeos produzidos pelo próprio Google, com o Diego Tardelli ganhando dividida, Obina pensando antes de se livrar da bola e Caio Júnior falando grosso na preleção? Também não, que o curta de ficção é um gênero em que a empresa não pretende investir no momento.

O que vai acontecer, então? O Flamengo vai pagar uns japas, desses que editam vídeo de casamento, para fazer umas montagens, tipo meter o som de Carmina Burana em cima de imagens do Nunes brigando? Não, com certeza, não. "O Flamengo vai pagar" é que nem o estádio do Corinthians: coisa que não existe.

Ricardo Heinrichsen, o vice-presidente de marketing do Flamengo (o Flamengo, a gente sabe, tem estrutura de empresa), diz que, no Fla-Google, os torcedores vão publicar seus próprios vídeos. Opa! Liberou geral, então? Não, não é assim que funciona. No time do Flamengo pode ter Jônatas, Toró, Vinícius Pacheco, mas no site não entra qualquer porcaria, não. Tem de ter conteúdo.

Heinrichsen está tão esperançoso de que vai aparecer algo mais que flagrante de tiroteio ou de pegação em baile funk, que até anunciou: "A intenção é fazer uma espécie de Oscar todo fim de ano, quem sabe premiando documentários de sessenta segundos, ou algo parecido". Ah, isso seria legal. Sobretudo se a estatueta, em vez daquela do Oscar, já batida e que não tem nada a ver com esporte, fosse uma miniatura do Oscar Mão Santa, do basquete, que jogou no Flamengo e, apesar disso, tem tudo a ver com esporte. Mas não vai ser, infelizmente: "Poderemos dar como prêmio, por exemplo, um dia como repórter no clube, entrevistando todos os jogadores", explicou Heinrichsen, com aquela cara de satisfação que fazem os gênios quando descobrem o que ninguém jamais poderia imaginar. Viu como faz diferença ter um vice-presidente de marketing?

Essa parceria é meio confusa, mas é muito legal! É vantajosa para todos: o Google não vai investir nada, o Flamengo não vai ter despesa e ninguém vai ganhar coisa nenhuma, o que evita futuras brigas na Justiça, que mal consegue arrumar tempo para julgar as expulsões do Kléber, do Palmeiras. E Heinrichsen, um sonhador, um homem de ideais, poderá continuar construindo o futuro: "O Flamengo deu mais um passo rumo à modernidade". Fortalecendo as relações sociais: "Será um espaço democrático onde todos poderão se expressar". Dando uma de cartola são-paulino: "Existe isso na Europa. Não igual, mas similar. Contudo, é inédito no país e também na América Latina". E, principalmente, engabelando Deus e o mundo: "Não vamos ganhar dinheiro agora, mas com certeza isso nos renderá lucro mais à frente".

Preocupado com a promissora parceria do rival, o Fluminense reagiu à altura: mandou Branco, que, como o universo, continua se expandindo, e que disputa pau a pau com Gilmar Fubá o título de ex-atleta mais gordo do Brasil, à Europa, para voltar de lá com coisa muito melhor do que vídeo no YouTube. Branco não decepcionou: voltou apalavrado com o presidente do Paris Saint-Germain e anunciou um acordo entre os dois clubes que promete dar de dez a zero no Fla-Google em matéria de "ninguém ganha nada com isso".

Relaxa, Branco: esse negócio de Fla-Google não vai pegar. O Flamengo tinha é que gravar as baladas que os seus jogadores freqüentam e jogar o material na mão do John Stagliano, para ser editado como merece. Aí, sim, o conceito de online adult entertainment nunca mais seria o mesmo e teríamos uma revolução de verdade na internet. Os vídeos da Fla-Buttman seriam baixados até em São Januário!