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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O título é um detalhe


A bagunça vai toda pelo São Paulo. Falta pouco para ser campeão, o pessoal já vai jogando confete, botando banca, esquecendo que o "favoritíssimo", até pouco tempo, era o Botafogo (pois é). Agora, todo mundo finge fazer um jornalisminho em cima da carne quase assada do churrasco de fim de ano.

É hora da ação para jornalistas bravos e fora do eixo, como a equipe do Comancheiro FC. Enquanto todo mundo baba o ovo do último carrasco do Vasco, nós vamos até onde está a notícia e encontramos algo altamente exótico no site do Atlético Paranaense, um time que, por si só, já não valeria nada.

O Furacão (como eles mesmos insistem em dizer) é campeão metropolitano juvenil. O que isso quer dizer? Ora, caro leitor, não me faça passar vergonha. A conquista do título metropolitano pelo Atlético-PR quer dizer exatamente isso que você está pensando. Nada.

Mas, e sempre tem um "mas", o Furacão comemora muito mais do que isso. O time principal está batalhando contra o rebaixamento na Série A. Para uma agremiação com meio estádio e que, há 10 anos, não fazia o menor sentido, já é mais do que um sonho.

Você pensa que parou por aí. Não mantenha essa cabeça limitada, meu caro torcedor-leitor. O Furacão também anuncia, com alarde, seu contrato com a Volkswagen para um novo ônibus em 2009. Sim, é isso mesmo. Um ônibus. E um pusta ônibus, aliás.

Os jogadores poderão viajar para os campos distantes e bizarros da Série B na maior mordomia, em um busão "desenvolvido especialmente para o Furacão, já que possui layout interno customizado e foi desenvolvido sob medida para atender o Rubro-Negro", segundo o próprio site.

Aproveitando a piada fácil, imagino que o bumba do Furacão já venha rebaixado. Ou, pelo menos, aspirado.

sábado, 8 de novembro de 2008

Japão na bola. E não é videogame


Lembra de quando o futebol japonês virou uma razoável atração no Brasil? Foi ali no começo da década de 90, quando o Zico foi ensinar pra moçada com quantos palitinhos se fazia um travessão. Naquela época, o pessoal falava de Kashima Antlers como se fosse algo sério, dava a escalação do Gamba Osaka e sabia que Urawa Reds não era uma marca de televisores de tela plana. A disputa da "J. League" - ou "Japonezão", para os íntimos - virou até jogo de videogame dos mais buscados nas locadoras de cartuchos de Super Nintendo.

Depois da febre do Galinho de Quintino, no entanto, a mídia brasileira foi apresentada a uma coisa chamada fuso-horário e percebeu que não dava pé investir tempo, dinheiro e preciosas horas de Fernando Vannucci no torneio da terra do sol nascente. (Aliás, dizem as más línguas que, depois de umas aulas sobre meridianos e rotação da Terra, o Luciano do Valle nunca mais foi o mesmo. Pura especulação).

Aqui nas bandas asiáticas, no entanto, o Japão não desistiu nunca, como podem estar pensando os caríssimos leitores. Enquanto o ocidente insensível volta seus olhos esbugalhados para a Copa dos Campeões da Europa, a turma daqui vai de Copa dos Campeões da Ásia e passa muito bem, obrigado. O torneio, que envolveu até sua fase semifinal o glorioso Bunyodkor, do Uzbequistão, time do Rivaldo e treinado pelo mesmo Zico, aguarda agora o jogo de volta da final entre o australiano Adelaide e o já citado Gamba Osaka.

Na primeira partida, o Osaka enfiou uma sacola de 3 x 0 na turma do canguru. O próximo duelo será no dia 12, mas acho que a taça vai mesmo pro Japão, a não ser que o Adelaide se revele uma espécie de LDU do outro lado do Pacífico. Vale lembrar que o Osaka joga com Lucas, ex-Atlético Paranaense. Também vale lembrar que Amaral, o cabeça-de-área de Notre Dame, atua hoje em dia nos gramados australianos. Mas não é no Adelaide, ele entra em campo pelo Perth Glory. Evitou o vexame, ao menos.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fanfarra

Assim como o espírito Xeneize, a fanfarrice tem origens nos primórdios. Ao ler as notícias diárias percebemos que o império dos fanfarrões comanda o show. Como aqui neste blog se faz jornalismo, vamos aos fatos:

Vasco: em fase excelente, sobrando no campeonato e com chances de ir disputar a Libertadores do próximo ano, pois faz grande campanha no returno (7 pontos em 3 jogos - uau!), o time de São Januário deu folga para seus jogadores, ontem, segunda-feira. Dinamite fazendo choque de gestão. Muito prudente.

Atlético Paranaense: o time continua com aquele papinho "ai, não dá tempo de treinar! Não temos elenco; não temos banco! Ó vida!". Diagnóstico: pede pra sair. Está muito duro? Vá jogar a Copa Kaiser. Pô, joga dois jogos por semana e não dá tempo para treinar? Os jogadores têm dois empregos?

Dodô, o eterno fanfarrão: jogador que deixa saudade por onde passa, provavelmente será mais uma vez passado para frente. Depois da demonstração de respeito pela hierarquia e senso de conjunto, deve ir para o Corinthians. Agora vai! Em 2009, os adversários nem deveriam aparecer para jogar; o Timão vai passar por cima. Olhem bem e vejam o ataque que os caras estão montando: Dentinho, Herrera, Acosta, Careca, Bebeto, Otacílio Neto e, em breve, Dodô. O caro leitor dirá: não conheço metade destes caras. Eu digo: está vacilando. Não assiste a Série B, vai ter surpresa na hora que seu time for pegar os matadores do Parque São Jorge, grupo de extermínio. Misericórdia, meu pai!

Olimpíadas: o site globoesporte.com fez um seleção das frases mais bonitas e edificantes dos jogos. Vale a pena conferir. Destaco os ditos sapientais de Maradona, Alexandre Pato, Pedro Dias (judoca e suposto corno português) e Diego Hypólito, o chupim.

Comentário de Abimael Forquilla: "Esse negócio de 'Dodô será mais uma vez passado pra frente' é questão de ponto de vista. Pra mim, ele é que passa os outros pra trás..."

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A palavra dos mestres

Na noite de ontem, domingo, fiquei a pensar: o fim dos Jogos Olímpicos deixará este blog mais triste? Com menos notícias? Resumido ao campeonato brasileiro e aos emocionantes campeonatos europeus? Tal questão me parecia aporética ou, se assim não fosse, se encaminhava para uma melancólica conclusão. Mas, hoje, percebi que subestimava a potência do campeonato nacional. Eis algo rico!

Querido Mário Sérgio, sempre lembrado no podcast, fez um ataque contra a Copa Sul-Americana: seu time não pode desenvolver todo seu potencial e pôr em prática os mui evoluídos e geniais esquemas táticos do ilustre técnico devido à grande quantidade de jogos. Diz MS: "Desde que cheguei é jogo na quarta e domingo, quarta e domingo. Não dá tempo de fazer jogadas ensaiadas, finalização". Pobrezinho. Além de gênio, Mário Sérgio é humilde, em reconhecer as falhas suas e de seu time, se coloca como um Xamã ou curandeiro. Que exemplo...

Celso Roth reclamou do ímpeto dos adversários contra o Grêmio. Note: contra o Grêmio, única e exclusivamente! Palavras sábias deste grande e carismático orador (anote no seu caderninho de frases motivacionais): "O campo é muito difícil de jogar. Isso não justifica, é difícil para os dois. Mas isso não foi um jogo. Foi uma batalha. O Náutico fez de tudo para ganhar - ironiza Roth" (o simpático jornalista que escreveu a matéria gentilmente dotou sr. Roth da faculdade da Ironia). Amigo, na próxima vez pediremos para que não se jogue para ganhar, ok? Onde já se viu coisa dessa, entrar em campo com ímpeto?!? Os dois goleiros do Náutico podem explicar bem como funciona este lance de entrar com ímpeto, ou melhor, de tomar uma entrada impetuosa.

Porém, a maior demonstração de frieza, imparcialidade e sabedoria foi a declaração de Jorginho, um dos Sete Sábios do mundo antigo: "Saldo da Olimpíada foi muito bom". Não posso, neste momento, fazer um comentário adequado; tenho que voltar para casa e refletir muito. Que gênio! Jorginho nos lembra que o bronze foi muito bom, principalmente quando lembramos que houve problemas com a liberação de Rafinha e Diego; e que, se há algo que será sentido no futuro da seleção, é o fato de o Ronaldinho ter voltado a sorrir e de ter prazer em jogar. Que fofo!

Bonitas declarações dos "professores", me lembram de uma muito edificante de Luxemburgo. Ao defender Thiago dos Santos, lança uma pérola: "O Thiago dos Santos era 'gato'? Eu também fui! Isso é passado", ou seja, atire a primeira pedra quem nunca foi gato. Ah! Bons momentos do dente-de-leite!
Assim, caro leitor, não tema; assunto não faltará.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Mais que a boca

Cada vez mais eu me convenço de que o Flávio Prado é que está certo: futebol é planejamento. O Atlético Paranaense, por exemplo, não construiu aquele estádio bacana, ganhou um Brasileirão e foi vice da Libertadores à toa. Por trás há, com certeza, a visão estratégica de cartolas modernos, diferenciados, high tech. Como o Mário Celso Petraglia, por exemplo, que preside o Conselho Deliberativo do clube e explicou outro dia como fazer para tirar o time daquele meião da tabela, de onde, em solidariedade ao Coritiba, parece não querer sair de jeito nenhum: "Não traremos mais jogadores meia-boca". A descoberta de que, contratando bons jogadores, o time melhora, é a maior novidade do futebol brasileiro, desde que Celso Roth percebeu que escalando atacantes aumentam as chances de o time fazer gol.

Petraglia é mesmo um cartola diferente. No uso da expressão "meia-boca" para se referir aos jogadores que seu time contratou para o Brasileiro já se vê um sinal evidente de educação refinada, de inspiração européia, bem ao gosto dos curitibanos. Mas, quando explicou porque é hora de o Atlético parar de investir em Gabriel Pimba, Irênio e Marcelo Ramos, antes que seja tarde, é que ele revelou toda sua erudição, toda sua cultura: "Marmelada na hora da morte mata mais rápido".

É de gente culta assim que o futebol brasileiro precisa. O Vasco contratou o zagueiro Rogério Correa (aquele mesmo) para tirar o time da zona de perigo? O que Petraglia diria disso, se lhe perguntassem a respeito? "Ah, pimenta nos olhos dos outros é refresco".

Bordon (aquele mesmo) quer abandonar o futebol para cuidar da mãe? Ouçamos Petraglia, a voz da sabedoria: "Jacaré no seco anda".

Romário vai lançar DVD para provar que marcou mesmo os mil gols que só ele viu? Comentário Petraglia: "Que time é teu"?

Antônio Lopes pode ser demitido a qualquer momento? Opinião Petraglia? "A dor ensina a gemer".

Petraglia não é um cartola: é um estilo de vida, um jeito diferente de se administrar futebol. Nele vê-se a mesma delicadeza e inteligência que marcam as palavras sempre sensatas e meditadas de Marco Aurélio Cunha, Antônio Roque Citadini (in memoriam) e Salvador Hugo Palaia. Todos herdeiros da sutileza e serenidade de Vicente Matheus.

O time do Atlético pode até ser meia-boca. Mas esse Petraglia fala mais que a boca, pra compensar.