quarta-feira, 30 de julho de 2008

Mais que a boca

Cada vez mais eu me convenço de que o Flávio Prado é que está certo: futebol é planejamento. O Atlético Paranaense, por exemplo, não construiu aquele estádio bacana, ganhou um Brasileirão e foi vice da Libertadores à toa. Por trás há, com certeza, a visão estratégica de cartolas modernos, diferenciados, high tech. Como o Mário Celso Petraglia, por exemplo, que preside o Conselho Deliberativo do clube e explicou outro dia como fazer para tirar o time daquele meião da tabela, de onde, em solidariedade ao Coritiba, parece não querer sair de jeito nenhum: "Não traremos mais jogadores meia-boca". A descoberta de que, contratando bons jogadores, o time melhora, é a maior novidade do futebol brasileiro, desde que Celso Roth percebeu que escalando atacantes aumentam as chances de o time fazer gol.

Petraglia é mesmo um cartola diferente. No uso da expressão "meia-boca" para se referir aos jogadores que seu time contratou para o Brasileiro já se vê um sinal evidente de educação refinada, de inspiração européia, bem ao gosto dos curitibanos. Mas, quando explicou porque é hora de o Atlético parar de investir em Gabriel Pimba, Irênio e Marcelo Ramos, antes que seja tarde, é que ele revelou toda sua erudição, toda sua cultura: "Marmelada na hora da morte mata mais rápido".

É de gente culta assim que o futebol brasileiro precisa. O Vasco contratou o zagueiro Rogério Correa (aquele mesmo) para tirar o time da zona de perigo? O que Petraglia diria disso, se lhe perguntassem a respeito? "Ah, pimenta nos olhos dos outros é refresco".

Bordon (aquele mesmo) quer abandonar o futebol para cuidar da mãe? Ouçamos Petraglia, a voz da sabedoria: "Jacaré no seco anda".

Romário vai lançar DVD para provar que marcou mesmo os mil gols que só ele viu? Comentário Petraglia: "Que time é teu"?

Antônio Lopes pode ser demitido a qualquer momento? Opinião Petraglia? "A dor ensina a gemer".

Petraglia não é um cartola: é um estilo de vida, um jeito diferente de se administrar futebol. Nele vê-se a mesma delicadeza e inteligência que marcam as palavras sempre sensatas e meditadas de Marco Aurélio Cunha, Antônio Roque Citadini (in memoriam) e Salvador Hugo Palaia. Todos herdeiros da sutileza e serenidade de Vicente Matheus.

O time do Atlético pode até ser meia-boca. Mas esse Petraglia fala mais que a boca, pra compensar.

4 comentários:

Leonardo Botti disse...

Seja bem-vindo, Bima.

Ricky_cord disse...

Olá. Também gostei do vosso blog e já adicionei na minha lista de links. abraço

Wilson Hebert disse...

Andei dando uma vasculhada no blog de vocês e encontrei isso aqui:

Depois que a Rede TV! juntou no mesmo programa Fernando Vanucci, José Kalil e Ronaldo, caiu muito o nível de exigência para o exercício da profissão de cronista esportivo. Aliás, caiu o nível de exigência para qualquer coisa."

Totalmente excelente!!!

Sem contar que ja tem até o link do meu blog... (Futebol, Musica e Etc)

Bom, sejam bem vindos a blogosfera!

E sobre o Petraglia, ele tem sim uns pontos positivos, mas não é melhor que outros dirigentes do futebol brasileiro, mas claro, tambem não é pior.

Estarei linkando o blog de vocês ao meu.

Abs.......

Abimael Forquilla disse...

Wilson, todo cartola tem um ponto positivo: uma vez por dia ele dorme e pára de falar... Mas o Petraglia deve ser do tipo que fala dormindo.